O que é moderno para italianos

Eu: ‘Mas onde fica esta parte tão plana da cidade sendo que Gênova é uma cidade de morros?’

Italiano: ‘Sabe aquela avenida onde subimos uma vez e vimos uma parte da cidade lá para baixo??? É lá a parte moderna da cidade!

Eu: ‘Nossa. Acho que nunca fui lá. Vamos ter que ir da próxima vez que formos a Gênova. (Eu pensando em um cenário futurístico super moderno).

Italiano: ‘Sim. Aquela parte é bem moderna. Foi construída em 1800 e alguma coisa.’

Eu: ‘Ah! Bem moderno…’

Amizade

Ontem ele demorou a sair… mas quando finalmente saiu da escola estava todo sorridente. Perguntei: ‘Tudo bem?’. E ele repondeu: ‘ Sim. Eu tenho uma amiga nova.’

E então me contou que uma menininha o perguntou no final da aula se eles poderiam ser amigos. E ele aceitou. Desceram as escadas conversando e se despediram com um tiauzinho de mãozinhas que acenavam.

No caminho de volta pra casa me disse: “Mamãe, a vida é mais legal com amigos.”

Sim, Pimpolho. A vida é bem mais legal com amigos! 🙂

Estacoes

Estava a espera do fim do verão. Aprendi isso com os anos morando aqui. Aprendi a esperar pelas estações do ano -e a me alegrar com cada uma delas. Mesmo com o inverno. Aprendi a gostar de dias nublados. Eles me trazem tranquilidade, aconchego e me convidam à reflexão. Aprendi a gostar do outono, aquela estação linda que nos transfere do agitado verão para a calmaria do inverno. O outono nos mostra que a transição é um caminho bonito, onde cores alegres e vivas se transformam aos poucos: de verde intenso para vermelho e depois amarelo até chegar no marrom das folhas secas que caem sobre o chão. Já a primavera é o seu oposto. As cores brotam do cinza e colorem a natureza, colorem nossa alma e nos preparam para a transição em sentido contrário: de dentro para fora. E então chega o verão. O grande convite para a vida fora. O sol, o calor, as pessoas, as interações sociais, o contato, o céu sempre azul, as longas horas de luz. Gosto de me ver neste circulo que se repete a cada ano. Aprendi a me mover conforme as estações. É um ritmo mais lento àquele dos países tropicais. Estive a espera do fim do verão. E ele já vem chegando. _/\_

Meus olhos

Meus olhos passearam pelo Brasil durante tres semanas. Depois de mais de dois anos de distância, eles lamberam cenários, memórias, afetos, carinhos e comidas típicas. Meus olhos comeram muita estrada na doce Minas Gerais. E viram menos montanhas mas muitos caminhões que as levavam embora de nós, em pequenos pedaços… Meus olhos lamberam paisagens lindas, cachoeiras e quebra molas (muitos!) . Eles lamberam cidadezinhas escondidas onde pouca gente tem acesso por falta de estrada e por falta de interesse também. E sabe? Em alguns casos, tudo bem. O prêmio da falta de acesso é o sossego. Meus olhos viram a força da natureza em forma de água, que mesmo na temporada de seca está lá: forte e potente garantindo nossa sobrevivência. Eles viram maritacas, tucanos, passarinhos e cachorros abandonados. Muitos cachorros abandonados! Eles passearam pelo centro de Belo Horizonte e ficaram chocados com a quantidade de pessoas morando nas ruas. Viram a Avenida Afonso Pena no final de um dia de feira e não souberam explicar para o meu filho como uma avenida tão grande pode estar completamente coberta de lixo. Meus olhos reconheceram os lugares da minha infância e ao mesmo tempo acharam tudo tão diferente… Meus olhos se espantaram com a apatia das pessoas diante do país. Meus olhos se alegraram em reconhecer o jeito leve de viver do Brasil, onde tudo está certo ate que não esteja e aí a gente vê o que fazer. E eles se perguntaram: “mas e se for tarde demais?” . Eles viram pessoas menos padronizadas e se alegraram em ver a beleza dos cabelos crespos livres, leves, soltos e sem progressiva! Eles viram corajosos casais homosexuais andarem pela rua e se encheram de esperança e agradecimento. Meus olhos se reabasteceram com o carinho de familiares e amigos e se emocionaram. Viram pessoas que não eram tão próximas se aproximarem e pessoas próximas se afastarem, e aceitaram isto como um movimento normal da vida. Meu olhos reconheceram sua origem sem reconhecer o lugar. A origem é a mesma e sempre será. Sobre o país, já não posso afirmar…

Meus olhos voltaram das férias muito agradecidos mas com saudades do Brasil que se perdeu…

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Sobre ser mineiro (Brumadinho e Bento Rodrigues)

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Morei durante 24 anos na grade BH. Do momento em que nasci ate terminar a universidade. Me mudei depois que tive uma oferta de emprego em Sao Paulo. Foi a primeira vez que sai de Minas por mais que algumas semanas. Foi morando em Sao Paulo que eu me vi como mineira. Antes disso eu tinha os mesmo costumes e sotaque que “quase” todos a minha volta. Foi la que comecei a criar a identidade do que eh ser mineiro(a). E por muito tempo, para mim, ser mineiro(a) foi falar arrastado com um sotaque tipico, gostar de um prosear espontaneo em qualquer lugar, sentir saudade de comer pao de queijo e mais um monte de coisa tipicas de Minas.

Uma das coisas que mais gostava de fazer quando morava em Sao Paulo, era viajar de carro de volta para “casa”. Quando a saudade batia, la ia eu, muitas vezes sozinha, com meu Palio vermelhinho 1.0 pela Fernao Dias. Nao tinha pressa de chegar e por muitas vezes escolhia o caminho mais longo, evitando a BR381 e me aventurando pelas cidades que encontrava pelo caminho. Minha companhia eram minhas musicas favoritas e a vista das montanhas.

Me lembro da minha montanha preferida. Linda… Ficava mais ou menos umas duas horas de BH (nao me lembro o Km ou a cidade perto). A paisagem era linda! No sentido SP-BH, o carro terminava de fazer uma curva e ao comecar uma forte subida era impossivel manter a velocidade com meu motor 1.0. Pois era justamente neste trecho que ficava a minha montanha favorita. E eu agradecia a forte subida por me “dar” tempo de apreciar aquele cartao postal.

Em uma das minhas viagens notei que  haviam tratores  e caminhoes trabalhando na base daquela montanha linda. Passados mais alguns meses, em uma outra viagem, vi que mais atividades estavam sendo organizadas ali. Vi que uma fazendinha que era perto da montanha nao existia mais… Comecei entao a ver mudancas mais significativas a cada viagem e depois, a cada visita que fazia a minha familia, percebia que um pedaco da montanha havia sido retirado…

Nao me lembro mais ha quanto tempo nao faco esta viagem. Mas me lembro da ultima vez que a fiz. Me lembro de ver a minha montanha favorita ter sido reduzida pela metade, e toda aquela linda paisagem de cartao postal ter se transformado em area de trabalho de uma mineradora.

Hoje, depois de mais um acidente criminoso com estouro de barragem de rejeitos de minerios, me vi pensando sobre o que eh ser mineiro(a). Me lembrei da minha montanha favorita e do fato dela ter sido tirada nao so de mim, mas de todos as pessoas que apreciavam aquela vista. Me vi pensando que ser mineiro eh tambem isso de ir perdendo aos poucos os pedacos da terra que “nos formou”. Eh nao reconhecer a paisagem que fez parte da nossa infancia. Eh estranhar o entorno a cada “volta” para casa. Eh pensar que cada pedacinho de Minas que eh destruido, que eh retirado, eh tambem um pedacinho da gente que quebra, solta, se dissolve, vai embora e nao ha como voltar atras. E naquele vazio fica a saudade do que poderia ter sido e muita, muita indignacao…

Aqui deixo o meu carinho e respeito as vitimas do acidente criminoso da Vale do Rio Doce em Brumadinho em jan/2019.

Aqui deixo, mais uma vez, o meu carinho e respeito as vitimas do acidente criminoso da Samarco em Bento Rodrigues em nov/2015.

Heróis da Gente

Não me lembro bem da data exata mas em algum momento de 2018 fiquei pensando no monte de gente legal que tem no Brasil. Fiquei pensando em como tantos brasileiros(as) batalham incansavelmente em busca de uma sociedade melhor porque simplesmente acreditam que eh possível! Fiquei pensando em como essas pessoas sao verdadeiros heróis/heroínas e o quanto seria legal conhecê-las, divulgá-las e nos inspirarmos nas suas histórias. Fiquei pensando no que poderia ser feito e então conversando com uma “amiga virtual”, a Diorela (do blog https://saidaafrancesa.wordpress.com/) tivemos a idéia de começar a coletar informações e criamos um perfil no Instagram. E assim nasceu o “Heróis da Gente”! Um perfil inspirador no Instagram para quem quer bons exemplos, para quem busca inspiração. Pessoas reais, vitórias possiveis!

Convido então à vcs para conhecerem o nosso projeto no Instagram (@heroisdagente). Sugiro que vocês não se sintam satisfeitos somente com as poucas palavras com as quais apresentamos nossos heróis/heroínas. Mas que essas palavras sejam apenas um ponto inicial para que busquem mais informações sobre eles/elas na internet. As histórias são tão inspiradoras e ricas e o Instagram tao limitado… Não aceitem o limite das palavras do nosso perfil. Ao contrário, se inspire nele e voe alto, assim como os sonhos e a determinacao dos heróis/heroínas que lá estão.

E se gostar deste sopro de inspiração, divulgue para os amigos e familiares. E se conhecer uma história inspiradora, alguém que ajude de alguma maneira a sociedade, ajude uma familia, ajude a natureza, os animais, alguém que vença seus limites, alguém que te inspire, nos conte por favor. E assim poderemos todos nos sentir inspirados. Quem sabe esta pessoa eh voce? 😉