Esperança

Todos os dias morremos um pouco. E renascemos um pouco também.

Há dias, porém, que o pedaço que morre é tão grande que temos medo que não renasça mais…

Hoje é um desses dias.

“Pretas e pretos, não se afobem. Se dêem o tempo de viver o luto assim como vivemos a luta. Amanhã é dia de fazer o que fazemos desde o mundo é mundo: chorar juntos nossos mortos”.

Ana Paula Lisboa

#tapuxadobrasil #marielle

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8 de Marco

É que os anos de experiência, a história, a maturidade, os desabafos ditos e ouvidos, o que já vi, o que já ouvi, o que me contaram… tudo isso me mostra que é nosso dever nos protegermos, e sermos sim, todos (incluindo os homens), mais feministas!

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Feliz dia das mulheres. Arte por @cynthiakittler

Nao fora o Mar

Eh que a cidade de Porto em Portugal, alem de muitas outras belezas, me fez descobrir este Poema. _/\_

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Não Fora o Mar!

Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.

Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.

Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.

Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,

Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.

Fernanda de Castro, in “Trinta e Nove Poemas”

Sobre minha Mãe

Eh que ontem foi aniversario da minha mãe e minha irmã escreveu um texto tão lindo que resolvi compartilhar com vocês. E para dizer a verdade, eu nem me lembrava de todos os detalhes… Mas adorei relembra-los! Segue o texto:

Essa história daria um livro! Ela perdeu a mãe na infância, foi criada pelos tios. Gerou três filhos no seu ventre e mais três no coração. E mesmo sem saber exatamente o que era amor de mãe, ela amou a todos. Em tempos de falta de pão e falta de amor dentro do nosso lar, ela se desvirou, revirou, foi exemplo de perdão. Na falta de pão, vendia doces no portão. Chupchup, lasanha congelada, cachorro quente. Transformava berinjela em peixe do mato na falta de carne. Como era ruim tomar mingau de fubá pela manhã! Mas ela transformava aquilo em algo gostoso colocando pedacinhos de queijo… Ela fazia salgados para os meninos venderem em porta de firmas. Assim ensinou todos a trabalhar bem cedo. Ela fazia questão que frequentássemos as melhores escolas, de acordo com a sua condição, sem nem ao menos saber como iria pagar as passagens. Ela fazia roupas para os meus irmãos em casa, sem nem ao menos saber costurar. Ela nos ensinou a humildade para recebermos, e a doçura de nos doarmos aos outros. Ela brincava de Noviça Rebelde, quando tínhamos que andar quase 10 km para ir a um supermercado para fazermos compras a pé . A volta era bem pior, por que tinha sacolas pesadas divididas nas mãos dos seis filhos. kkk.
Ela já teve uma biblioteca em casa, onde emprestava livros para os vizinhos. Ela fazia amizade com os donos de empresas para sermos empregados, fazia bolo pra diretoras de escola para conseguir vaga. Ela foi a melhor economista que já vi. fazia uma ginástica com o dinheiro. Já chorou dentro de supermercado por que o dinheiro não dava pra comprar o que precisava, mas sempre tinha um iogurte e uma maça no começo do mês. RSRSRS. Já na falta de amor, ela ensinou a amar mesmo qdo achamos que o outro esta errado. A ajudar, mesmo que o outro não te valorize. A perdoar, mesmo que o outro não aceite o seu perdão. Hj, adulta, penso em qtas noites ela deve ter ficado sem dormir pensando em soluções para os nossos problemas! Quantos choros aquele travesseiro não deve ter ouvido. Mas ela nunca desistiu. Fez do seu jeito, do melhor jeito que pode, e isso sim é o mais importante. Hj vive com tranquilidade, como se Deus tivesse colocado um ponto final em todo sofrimento. Eu te devo a vida e muitos “muito obrigado” por ser minha mãe, por ser a melhor avó que meus filhos poderiam ter! Vc foi feita a mão, Beth. Feliz 72! E que muitos anos venham pela frente.

PS1: Ela tb fazia bolos de aniversário, e qdo ficava feio, falava que era bolo vulcão. Kkkk

PS2: Ela era cabeleireira tb. Cortava cabelo de todos e qdo ficava feio, dava crises de riso. Kkkk

PS3: Já foi manicure em um quarto da minha casa transformado em salão. A biblioteca era na sala.”

PS4: Ela cheira as xícaras antes de usa-las. Kkkkk

PS5: Ela vem na minha casa e muda tudo de lugar.kkkk

PS6: Ela não gosta que deite na cama dela e nem pegue seu travesseiro e seu cobertor. Fiquem sabendo! :-/

PS7: Ela me buscava nas festas qdo saia escondido. Graças a Deus! Se não seria uma loucaaaaa! Mas ela tb me levava nas festas, pulava carnaval comigo, e até deixava a gente beber um pouquinho. Deve ser por isso que não bebo hj em dia. Rsrsrs”

 

 

Sobre ter sorte e fazer esforço

“Tem algumas coisas na vida que se você não tem por sorte, então terá que se dedicar, e muito, para te-las. Alguma dessas coisas são:

  • Amor
  • Emprego legal
  • Saude
  • Família maravilhosa

E se você tem uma ou mais de uma dessas coisas, ahhh então valorize-a(s).”

Foi mais ou menos assim que entendi o “stories do Instagram” da Diorela (Saída a Francesa).  E isso juntando ao fato de que algumas semanas atrás eu estive a conversar com uma amiga que esta procurando emprego. Eu queria motiva-la para uma entrevista porque sei o quanto ela eh competente. Mas a medida que falava com ela, me lembrava de alguns amigos que são também competentes mas nunca encontraram um emprego legal e então comecei a pensar na inutilidade do meu discurso… Durante a conversa com minha amiga eu não consegui equacionar o por que disso. Mas depois, assistindo ao stories da Diorela, eu achei muito interessante ela falar sobre sorte.

Eu sempre me perco nesta fronteira que classifica os acontecimentos como sorte ou como fruto de esforço. Na verdade acho que os dois se complementam. E mais, acho que a proporção varia de situação para situação e de pessoa para pessoa. Existe gente sortuda? Existe sim. Eu inclusive acho que sou mais sortuda do que azarada. Mas acho também que muitos dos momentos de “sorte” que tive na minha vida foram fruto de esforço. E não falo somente sobre esforco físico de levantar cedo, sair para trabalhar ou estudar, chacoalhar em ônibus lotado,  suar a camisa etc e tal. Eh obvio que isso eh importante e deve sim ser valorizado. E muito! Mas existe “algo” alem disso. E eh algo difícil de explicar porque eh muito pessoal. Há quem chame de fé, há quem chame de energia, frequência, filosofia, exoterismo, otimismo e há ate quem julgue o outro, portador deste “algo”, classificando-o simplesmente como inocente.

E que bela e útil pode ser a inocência! Já pararam para pensar?  Talvez a sorte seja uma grande amiga dessa inocência, assim como eh grande amiga do esforço. Se o esforço te faz acordar cedo para suar a camisa todos os dias, a inocência eh quem te faz acreditar que isto eh por uma boa causa. Eh a inocência que te faz acreditar que “um dia” você terá a sorte de conseguir um trabalho legal depois de tanto se esforçar no curso que esta fazendo. Eh também a inocência que te faz acreditar que “um dia” você vai encontrar aquela pessoa com quem vai querer dividir um pedaço ou a vida inteira (para os mais românticos), mesmo depois de ter se decepcionado tantas vezes. Eh também a inocência que te faz pensar que “um dia” você terá a sua própria familiar super legal, mesmo não tendo uma família legal agora. Ou, que a família legal que tem hoje existira para sempre. Eh também a tal da inocência que te diz que você envelhecera saudável. Ou, que você se recuperará daquela doença e se tornara uma pessoa saudável e então será outra pessoa. Enfim, essa tal da inocência de faz acreditar neste “algo”.

Pois bem, este “algo”, que se deve conquistar, ter, manter, enraizar-se e tornar-se algo seu, eh, na minha humilde opinião, tão ou mais importante que o tal do esforco. Na minha mente de bicho grilo/engenheira eu diria que a seguinte equação funciona: “algo”+ esforco = possibilidade de sorte. E diria também que esta equação, para mim, só funciona assim! Aquele que se esforça como um louco no dia a dia e não consegue de alguma maneira se conectar com este “algo” (seja lá o que o “algo” for para esta pessoa) não terá muitos encontros com a “sorte”. O mesmo acontecerá com aquele que se conectar, ainda que com profundidade, com este “algo” mas não se esforçar de uma maneira mais mundana.

Receitas para felicidade, sorte, amor, saúde etc e tal não existem. Existem sim indivíduos diferentes com vivências e expectativas diferentes. Há quem nasça doente, por exemplo. Seria isto uma falta de sorte? Depende. Depende de que? Depende da perspectiva que se olha, depende da expectativa que se tem, depende do padrão que se quer seguir, depende de julgamentos, depende ate da sociedade onde se esta inserido ou do momento histórico em que se vive. Há quem passe uma vida inteira sem encontrar o grande amor, ou sem conseguir gerar o filho tão desejado, ou buscando um emprego legal. Falta de sorte? Falta de esforço? Prefiro perguntar de outra maneira: de tudo isso que tanto queremos nessa nossa vida, quanto eh realmente nosso desejo e quanto eh o desejo que os outros nos disseram para ter?

Sorte? Para mim existe como fruto de “esforço” e de “algo” a mais. E este “algo” alem de todos os nomes que já demos, também deveria/poderia simplesmente se chamar AUTOCONHECIMENTO.

 

Nota: Quando vi o “stories” da Diorela, minha amiga virtual, achei muito interessante e sugeri que ela escrevesse um texto sobre isto. Ela então me sugeriu que eu também escrevesse sobre isto e assim trocamos nossas figurinhas. Depois de refletir sobre o assunto, saiu este texto acima. E o mesmo aconteceu com a Diorela:

Voltando pra casa, no vento vermelho de outono que me embaraçava os cabelos mais que tudo (sorte sua que tem cabelos soltinhos e macios). Ali, la na ponta inicial dos meus fios, eu pensava « Ai se eu tivesse encontrado um grande amor ». Peguei a câmera e fiz daqueles vídeos que ficam no ar por 24h. Falei de quatro coisas que, se a gente não tem por sorte, é meio difícil a gente encontrar/ter : Um grande amor, um bom trabalho, muita saúde e uma família maravilhosa. (continua AQUI)”

 

 

Chá de alegria

Então vc entra naquele mundo paralelo de quem vive ocupada entre filho, trabalho, novos projetos, amigos gringos, visitas, ano novo que chega e etc… entre uma atividade e outra, naqueles 5 minutinhos de intervalo ou naqueles 5 minutinhos antes de desabar na cama, vc abre a Internet pra tentar se conectar com o seu país. Aquele seu país lá de longe onde estão todas aquelas pessoas que você ama tanto. E as notícias não são nada boas… como sempre. Daí bate aquela sensação de alívio por não morar mais lá, misturado com a sensação de saudade de tudo e de todos, com a sensação de incapacidade de fazer alguma coisa para ajudar, misturado com preocupação, misturada com mais um monte de outros sentimentos que vc nem mesmo consegue entender, decifrar, engolir… cheia de preocupação vc telefona, manda mensagem ou faz Skype com sua família e amigos, já preparada para consolá-los e oferecer a sua compaixão e o seu ombro-amigo-virtual. E a conversa sai mais ou menos assim:

Eu com voz cheia de preocupação : “oi, sou eu. Estou ligando para saber se está tudo bem com vcs?”

Amigo ou parente com a voz mais feliz do mundo: ” oiiiii! Que saudade! Tudo ótimo e vcs? Quando vcs vem nos visitar? Tá muito frio aí?”

Eu, já menos preocupada: “tá bem frio sim. Nevando.  Hoje fez -5 graus.”

Amigo ou parente ainda com a voz mais feliz do mundo: “- 5 graus? Nossa senhora! Coitados de vocês! Coitadinho do Pimpolho.Sai desse frio, vem pra cá! Aqui está um calor infernal, já tomei 3 banhos hoje. Quando vcs vem?”

Eu, tentando justificar a minha preocupacao:”Vamos em breve. Mas tá tudo bem aí mesmo?”

Amigo ou parente, ainda no maior alto astral: “Sim, tudo bem. As mesmas coisas de sempre. (Pausa para algumas reclamacoes sobre política, dengue, febre amarela, presídios e criminalidade). Mas tirando isso está tudo ótimo, graças a Deus. Fim de semana vou ver Fulano, Sicrano, etc. Talvez a gente faça um churrasco ou uma macarronada. Vamos levar as crianças pra brincar na praça…”

E a conversa sempre segue no maior astral. No final sou eu quem me sinto consolada, motivada e feliz. Conversar com brasileiro tem esse efeito para mim. Acreditem: a alegria que brasileiro trás dentro de si é muito revigorante e não se encontra por aí!

Me aguarde Brasil, este ano quero ver o seu céu! O mais azul de todos os céus que já vi! 💙🌎

Sobras

Almoço de “sobras”: restinho de arroz, restinho de feijão, restinho de abóbora, restinho de batata doce no azeite. Porque jogar comida fora é inaceitável.  Bom apetite para vc também.  🙏