Um dia especial: a vida que segue…

Saio de casa com minha bicicleta logo cedinho. Devidamente equipada com meu capacete. Nunca se sabe… a vida eh tao fragil, ne? Assim como faço tres vezes por semana, pedalo ate a minha aula de alemão. Feliz e contente, sem muitos riscos. Como eh bom ser respeitada pelos motoristas. Penso, eu. Confesso que hoje seguia o meu trajeto mais distraída que o normal. Ia pensando na minha vida. Coisas que aconteceram, coisas que torco para que aconteçam. Estava eu la, de capacete, na ciclovia!!!, distraidamente pensando na minha vida… ate que atras de mim, a menos de 2 metros de distancia, surge um ônibus gigante e me da uma “buzinada” no ouvido. Sabe aquele barulho que ecoa por dentro e faz seu coração sair pela boca? Nao contente com o susto que me deu, acelera e passa a alguns míseros centimetros da minha bicicleta! Conseguem imaginar o meu susto?  A vida eh tao, tao fragil… tao fragil que a irritação do outro, por algum motivo que voce completamente desconhece, pode mudar sua vida para sempre… ou mesmo encerra-la. Chego a escola de alemão mais sensibilizada que o normal e, obviamente tremendo de susto, de medo… E feliz por estar “inteira”!

O tema da aula de hoje era: produtos típicos da Suíça. O que nos levou a falar sobre as industrias suíças. O que nos levou a conversar sobre as principais industrias dos nossos países. Somos 12 pessoas no classe, provenientes de 11 países diferentes! E foi então que a professora pediu para que contássemos brevemente as principais industrias dos nossos países de origem e os principais problemas ou benefícios gerados por elas. E fomos falando um por um. Ate que chegou a vez do estudante refugiado da Siria falar… e ele nao tinha o que falar… os olhos encheram de agua, fez-se um silencio na sala. A professora, muito simpatica, ainda tentou convence-lo a falar alguma coisa. Mas ele pediu desculpas e, visivelmente encabulado, se recusou. Depois disso a aula seguiu normalmente. Muito pelo talento da professora em administrar a situação e distrair-nos com outro assunto. Fiquei pensando no estudante sirio. Outro dia ele nos contou que quando chegou a Suica, nao tinha nenhum documento para mostrar para as autoridades. Ele poderia inventar o nome que quisesse. Ele perdeu tudo. E esse “tudo” inclui suas origens, seu país, seu porto-seguro, seus familiares! Foi tudo “tirado” dele, pela “irritacao” dos outros. Outros, esses, que ele nao conhece e que, ainda sim, mudaram completamente a vida dele.  E ainda sim, ele, o estudante refugiado na Siria, eh o mais bem humorado e sorridente da classe. Apesar da dor que visivelmente carrega, esta feliz pela nova oportunidade e, assim como eu, por estar “inteiro”.

Ja quase no finalzinho da classe, recebo uma mensagem de uma amiga do Brasil. Ela estava a caminho da maternidade! Hoje nasce a filhinha dela: Vitoria! Eh vida que chega ao mundo. Eh esperança de dias melhores e de mais respeito ao proximo. Seja bem vinda, Vitoria! O mundo te espera de bracos abertos e o meu desejo eh que voce faca dele, do mundo, um seu grande amigo!

Ao amigo sirio, ofereço um pedacinho da minha origem, BH, através do video abaixo. Com o desejo que ele consiga sempre abrir o seu coração, fazer da sua vida algo leve e que encontre sempre alguém e algum motivo para dançar.

Namaste!

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