Data de vencimento

Ja desconfiava. Mas agora tenho certeza. Minha saudade do Brasil tem data de vencimento. Ela eh suportável por, no máximo, 12 longos meses. Dentro dos quais tenho varias “suportáveis” recaídas. Daquelas que se “curam” com um almocinho de arroz com feijão, uma colherada de doce de leite ou vários brigadeiros. Daquelas que “passam” e são “esquecidas” com rádio tocando alto um sambinha, pagode, musica caipira, MPB ou qualquer som que toque a minha brasilidade. Sabe do que estou falando? Aquela recaída que “melhora” com 15 minutinhos no Skype com a família, ou algumas mensagens no WhatsApp. Isso tudo funciona bem, desde que dentro do prazo de validade! Que como já disse… expira em, no máximo, 12 longos meses (as vezes, muitas vezes, menos)…

Mas e depois disso, minha gente? Depois da data de vencimento da saudade, a gente faz o que? Me diga!

Eu por exemplo, já apelei ate para a canjica! Sabe aquela canjica de festa junina? Cremosinha? Com leite de coco? Pois bem, a danada da saudade apertou foi mais!

Depois dos prazo de validade, ainda não encontrei nada que me desse um certo alivio, um calorzinho no peito, um aconchego… Muito pelo contrario, os antídotos usados durante o prazo de validade, atuam agora como geradores de mais saudade. Na esperança de achar uma solução, tenho usado vários antídotos ao mesmo tempo: como arroz com feijão, escutando musica brasileira, bebendo suco de abacaxi com hortelã, enquanto o doce de leite me espera na geladeira. Funciona? Funciona nada. Da eh mais saudade! Coloco musica brasileira pra tocar e danço com o Pimpolho enquanto ensino para ele que eh musica do Brasil. Funciona? Funciona nada. Da eh mais saudade!

Acho que o que me cabe agora, eh esperar pelo santo dia de pisar em terras minhas. Data ainda indefinida por vários fatores pessoais, familiares, profissionais e ate “mosquitais” (era só o que me faltava…). Ate lá vou curtindo minha saudade com doses diárias de discretas gotinhas de lágrima nos olhos, aperto no peito e nozinho na garganta…

“Yo no sé de dónde soy,
mi casa está en la frontera
Y las fronteras se mueven,
como las banderas.
y si hay amor, me dijeron,
toda distancia se salva. “ – Jorge Drexler, Frontera.

 

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