Pensamento do dia

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Ensinamento de um Palhaço

Saio da aula de alemão e encontro a minha bicicleta caída no chão com mais 3 ou 4 bicicletas caídas sobre a pobrezinha…

Meio que com preguiça começo a levantar as bicicletas e coloca-las novamente em pé para pegar a minha. Eis que com o movimento das bicicletas caídas outras bicicletas começam também a cair. E lá se foi uma fila inteirinha de bicicletas, umas 10, todas para o chão. Eh claro que todo mundo que passava pela rua parou para olhar por causa do barulho. E eu que já estava com preguiça, fiquei com mais ainda… No final da fila estava um dos meus colegas do curso de alemão. Calmamente ele se virou para trás e deu de cara com aquele baile de bicicletas que se despencavam. Olhou para mim, deu um sorriso, fez uma movimento com os ombros do tipo “Acontece…” e começou calmamente a  me ajudar a colocar todas as bicicletas em pé novamente. Enquanto levantávamos a ultima bicicleta ele virou para mim, que provavelmente não estava com uma cara nada boa, e disse:

“- Se todos os nossos problemas fossem levantar bicicletas caídas na rua, o mundo seria maravilhoso!”

Sorriu e partiu com sua bike.

Sobre quem eh o meu colega? Um israelense que trabalha como Palhaço nos parques e ruas de Basel. Assim como fez comigo, ele alegra a vida das pessoas. 😉

Ajudando a ser ajudado

Ja nem me lembro mais como foi que cheguei ate o blog da Kivia, o Kiviagem. So sei que desde de o primeiro momento fiquei fascinada pelas historias, pela iniciativa, pela leveza, pela liberdade, pela beleza e, não vou mentir, pelo fato dela ser mineira como eu e falar com o mesmo sotaque!

Para quem ainda não conhece, a Kivia eh uma mineira que largou o emprego e saiu por ai se aventurando pelo mundão afora. E com as aventuras dela nos, seguidores do blog, aprendemos um bocado sobre historia, sobre liberdade e principalmente sobre simplicidade. Não, eu não conheço a Kivia pessoalmente. Ainda nao… Somente nos falamos algumas vezes através de mensagens pois quis agradece-la por nos dar o prazer da leitura do seu blog, da sua pagina do facebook, dos seus textos inteligentes, emocionantes e maravilhosos. E eh por isso mesmo que não vejo a hora de ler o livro que a Kivia, de maneira independente, escreveu! E espero que mais e mais pessoas também tenham esta sorte!

Como o livro foi escrito de maneira independente, ele precisa de “doações” para ser impresso. Digo “doações” porque na verdade o que acontece eh uma “pré-compra” uma vez que os doadores receberão o livro impresso em casa. Isto se o valor mínimo para as impressões for alcançado. E se o valor mínimo para a impressão dos livros não for alcançado? Bom, neste caso os doadores receberão o dindin de volta diretamente depositado na sua conta.

Para quem se interessou, fica aqui o link do Catarse onde eh possível fazer a “doação”: https://www.catarse.me/pt/kiviagem

E para quem ficou com agua na boca e quer ler o blog, este eh o link: http://www.kiviagem.net/

E para quem curte o facebook, tem também: https://www.facebook.com/Kiviagem?fref=nf

E tem tambem um dos textos lindos da Kivia para vcs. Acho que o meu favorito! 🙂

“Tinha dez anos quando fui a Ouro Preto pela primeira vez. Acordei assustada, sensação péssima. Disse ao meu tio que havia tido um pesadelo:

-A madrinha morreu.
-Morreu não, Kívia. Ela deve estar melhor do que a gente.

Semana passada, 18 anos e meio, 222 meses depois, voltei a Ouro Preto. O telefone me acordou. Atendi assustada. Do outro lado, a voz da minha mãe:

-A madrinha morreu

A madrinha é na verdade minha vó. Na verdade, os dois. As duas. Tantas. E só agora que elas se foram é possível contar quantas mulheres foi Dona Helena, quantas toneladas de importância sustentavam aquele pilar de porcelana e passos arrastados, calçando eternamente o chinelo branco-anil da humildade, fosse dia de casamento, fosse dia de ‘dibuiá mí pras galinha e tratar dos leitão’.

Desde que me entendo por ser humano (bem antes disso, na verdade) um anacrônico vestido de chita e botões grandes me esperava atrás da porteira de lenha cinza; fosse nos tempos em que os tombos no balanço do pé de manga e os banhos no tacho de cobre separavam, religiosamente, os finais de semana dos dias de ir pra escola, fosse nestes tempos em que os compromissos pseudo-anadiáveis e os medos fantasiosos da vida adulta resumiam minhas visitas a um ou dois pares por ano.

O fato é que a carapinha crespa cada vez mais algodoada, sempre doce, sempre atravessava o curral (barrento do verão ou o poeirento do inverno), desviava das bostas de duas ou três vacas escuras, destravava a tramela (quando não éramos mais rápidos) e abria, com um sorrisinho limpo, a porteira; o portal da roça. A roça … a escola, o parquinho, o restaurante. O ponto de encontro da família, dos 10 filhos, dos sei lá quantos netos, bisnetos, genros, noras, agregados, namoros e amizades que deram certo e que não deram muito certo. A roça. Nossa conselheira, nosso código de ética, nossa proteção e porto seguro. Roça mundo. O mundo inteiro sobre quatro pés rachados, equilibrando seu peso sobre duas pilastras de bambu, palha, taquara e balaio. Tão bravos e constantes em suas posições, que a gente até esqueceu do material (do qual foram feitos), que são matéria; que não há matéria que não acompanhe o amarelar da Folhinha de Mariana.

É, eu sei; a queda de um pilar é tão natural, certo e cíclico quanto o outono. Todos acham normal, mas a gente que é da roça acha estranho. Só a gente que é da roça para entender o que acontece quando cai um pilar. A roça acaba. Não tem mais queijo, não tem mais saco de mexerica no porta-malas, não tem ‘caldin de frango caipira cum quiabo’, não tem almoço de domingo, não tem caduquices, nem risadas das caduquices, não tem benção, nem benzeção contra quebrando e espinhela caída, não tem … (ai, como é difícil!) … e a fogueira de São João, como fica?

Só a gente que veio da roça, dessas roças que resistem ao latifúndio e à cidade, sobre decrescentes pilares de pau-a-pique, para entender a falta que o norte faz. Só a gente que veio da roça, que cresceu em volta de fogão de lenha, administrando e fazendo a própria panela de ferro, o próprio ‘cumê’, para misturar trabalho com liberdade. Só a gente que veio da roça, essa gente simples e teimosa das Minas Gerais, das gerais do mundo, para colocar a família, o outro, o amor acima de todas as coisas; para sentir a dor e pressentir a gravidade do derradeiro ponto final.”

Uma maneira saudavel e legal de se conectar: Blogs!

Tenho tido muita aversao a conexoes virtuais e redes sociais, confesso. Mas nao posso negar que descobri uma maneira, inicialmente virtual, saudavel e muito legal de conhecer e criar amizades: Blogando!

Esta ai uma reportagem bem legal sobre as brasileiras que vivem na Suica e seus blogs. Destaque para a Ana Luiza e a Christiane que tive o prazer de conhecer e que sao super queridas. Saudades, meninas!

http://www.swissinfo.ch/por/brasileiras-da-su%C3%AD%C3%A7a-trocam-experi%C3%AAncias-atrav%C3%A9s-de-blogues/41202242

Em Basel tambem tem arco-íris!

Ja faz algum tempo que descobri que me encantava por arco-íris. Foi em uma viagem para o Uruguai. Mais especificamente estávamos saindo da Casapueblo em Punta del este. Era final de tarde. O lugar eh mágico e encantador. éramos um grupo de 6 amigos. Sabe aquela viagem que vc guarda com carinho porque foi divertidíssima e maravilhosa? Aquela viagem em que mesmo as coisas não programadas caem bem e se tornam divertidas? Pois…

Enfim, visitamos a Casapueblo e saímos de lá meio em êxtase com a beleza da paisagem e do lugar. Fizemos uma parte da estrada a pé ate chegarmos a rodovia principal que era movimentadíssima e perigosa por causa de uma curva que nos tirava a visibilidade. Não sabíamos bem como voltaríamos para nosso albergue. Tinham nos falado que havia um ponto de ônibus bem próximo. Não o encontramos… Não sabíamos em que direção deveríamos seguir… direita ou esquerda? Vimos vários ônibus passando mas não tínhamos ideia de como e onde eles parariam naquela rodovia…

Resolvemos então escolher uma das direções e seguir. Eis que me deparo com um arco-íris ENORME no céu, talvez a cena mais bonita que já vi. O por do sol, o oceano e um arco-íris perfeito com começo, meio e fim! Achei aquilo incrível! Tão incrível que queria que todos os meus amigos tivessem aquela sensação que eu estava tendo naquele momento. Olhei para o lado e vi que alguns deles também estavam encantados pelo cenário de filme que estava na nossa frente. Porem, dois dos meus amigos não estavam ali e, vejam bem, estavam perdendo aquele momento mágico e maravilhoso! Olhei para traz e vi que eles tinham atravessado a rodovia provavelmente em busca de informação. Não tive duvida! Gritei, gritei, acenei como louca e pedi para que eles voltassem. Eles vieram correndo atravessaram novamente a rodovia perigosa, pararam ao meu lado ofegantes e perguntaram:

“- Cade o ônibus?

E eu: “- Que ônibus?”

E eles: “Você não gritou porque o ônibus estava chegando?”

E eu: “Não… Eu queria que vcs vissem este por do sol maravilhoso. Vcs já viram um por do sol com arco-íris? Eu nunca tinha visto. Olha que coisa maravilhosa!”

Juro que não fiz de sacanagem. Juro que o que queria era que eles tivessem a oportunidade de contemplar aquela cena perfeita. Juro que minhas intenções eram as melhores possíveis. So não entendo porque diabos eles queriam me matar depois daquilo e isso gerou varias risadas no restante dos dias da nossa viagem. 🙂

O lado bom? Agora, toda vez que vejo um arco-íris eu me lembro desses amigos tão queridos e me lembro daquela viagem maravilhosa. Tenho certeza que o mesmo acontece com eles (assim espero!).

E foi em tudo isso que pensei quando este arco-íris maravilhoso apareceu em frente de casa, aqui em Basel, ontem! Porque nao ha limites de tempo ou distancia para os bons pensamentos, as boas energias e as boas lembranças. Aos amigos, Namastê!

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Impermanência

Eh que a vida na Suíça eh sempre tão calma… tudo parece estar sempre sob controle, tudo calmo, tudo planejado com, no mínimo, 3 meses de antecedência. A organização vai do plano de aposentadoria aos horários do transporte publico. Tudo lindo e organizado. Não que isto seja ruim, mas sabe o que? Com toda esta perfeição e pontualidade a gente se esquece que para a vida mudar basta um mísero segundo, uma mísera distração, um simples acontecimento inesperado. E tchan! Os planos mudam, a vida muda de rumo e então temos que nos adaptar.
Acho mesmo que perdi um pouco da capacidade de estar sempre em prontidão aguardando por mudanças. Acho que tinha isso quando morava no Brasil, onde não eh lá muito possível levar uma vida tão… uhm… digamos: pacata. Ou talvez o motivo da falta desta capacidade seja a minha idade. Porque, ne? A gente vai ficando mais experiente…
Enfim… fiquei sabendo ontem que duas amigas se mudarão de Basel e, apesar de torcer muito por elas, não posso negar que farão falta. Fiquei pensando na impermanência das coisas. Não que a amizade vá acabar com a distancia. Tenho certeza que não ira. Mas a convivência infelizmente vai, assim como outras convivências com amigos do Brasil também acabaram, apesar de lindas amizades permanecerem sempre. Mas veja bem como tudo eh impermanente mesmo num lugar tão limpinho e seguro como a Suíça.

Por coincidência do destino, ainda ontem, saiu este texto  abaixo  num dos blogs que sigo e adoro. Então veja bem que sincronicidade. No final, “tamo ou não tamo” todos juntos nesta viagem impermanente chamada vida? 😉

http://tudosobreminhamae.com/blog/2013/6/24/1elba9da58krrobuvizzivr3c9wvqm

As amizades que nossos filhos nos trazem — tudo sobre minha mãe_2014-04-24_09-46-48