Ajudando a ser ajudado

Ja nem me lembro mais como foi que cheguei ate o blog da Kivia, o Kiviagem. So sei que desde de o primeiro momento fiquei fascinada pelas historias, pela iniciativa, pela leveza, pela liberdade, pela beleza e, não vou mentir, pelo fato dela ser mineira como eu e falar com o mesmo sotaque!

Para quem ainda não conhece, a Kivia eh uma mineira que largou o emprego e saiu por ai se aventurando pelo mundão afora. E com as aventuras dela nos, seguidores do blog, aprendemos um bocado sobre historia, sobre liberdade e principalmente sobre simplicidade. Não, eu não conheço a Kivia pessoalmente. Ainda nao… Somente nos falamos algumas vezes através de mensagens pois quis agradece-la por nos dar o prazer da leitura do seu blog, da sua pagina do facebook, dos seus textos inteligentes, emocionantes e maravilhosos. E eh por isso mesmo que não vejo a hora de ler o livro que a Kivia, de maneira independente, escreveu! E espero que mais e mais pessoas também tenham esta sorte!

Como o livro foi escrito de maneira independente, ele precisa de “doações” para ser impresso. Digo “doações” porque na verdade o que acontece eh uma “pré-compra” uma vez que os doadores receberão o livro impresso em casa. Isto se o valor mínimo para as impressões for alcançado. E se o valor mínimo para a impressão dos livros não for alcançado? Bom, neste caso os doadores receberão o dindin de volta diretamente depositado na sua conta.

Para quem se interessou, fica aqui o link do Catarse onde eh possível fazer a “doação”: https://www.catarse.me/pt/kiviagem

E para quem ficou com agua na boca e quer ler o blog, este eh o link: http://www.kiviagem.net/

E para quem curte o facebook, tem também: https://www.facebook.com/Kiviagem?fref=nf

E tem tambem um dos textos lindos da Kivia para vcs. Acho que o meu favorito! 🙂

“Tinha dez anos quando fui a Ouro Preto pela primeira vez. Acordei assustada, sensação péssima. Disse ao meu tio que havia tido um pesadelo:

-A madrinha morreu.
-Morreu não, Kívia. Ela deve estar melhor do que a gente.

Semana passada, 18 anos e meio, 222 meses depois, voltei a Ouro Preto. O telefone me acordou. Atendi assustada. Do outro lado, a voz da minha mãe:

-A madrinha morreu

A madrinha é na verdade minha vó. Na verdade, os dois. As duas. Tantas. E só agora que elas se foram é possível contar quantas mulheres foi Dona Helena, quantas toneladas de importância sustentavam aquele pilar de porcelana e passos arrastados, calçando eternamente o chinelo branco-anil da humildade, fosse dia de casamento, fosse dia de ‘dibuiá mí pras galinha e tratar dos leitão’.

Desde que me entendo por ser humano (bem antes disso, na verdade) um anacrônico vestido de chita e botões grandes me esperava atrás da porteira de lenha cinza; fosse nos tempos em que os tombos no balanço do pé de manga e os banhos no tacho de cobre separavam, religiosamente, os finais de semana dos dias de ir pra escola, fosse nestes tempos em que os compromissos pseudo-anadiáveis e os medos fantasiosos da vida adulta resumiam minhas visitas a um ou dois pares por ano.

O fato é que a carapinha crespa cada vez mais algodoada, sempre doce, sempre atravessava o curral (barrento do verão ou o poeirento do inverno), desviava das bostas de duas ou três vacas escuras, destravava a tramela (quando não éramos mais rápidos) e abria, com um sorrisinho limpo, a porteira; o portal da roça. A roça … a escola, o parquinho, o restaurante. O ponto de encontro da família, dos 10 filhos, dos sei lá quantos netos, bisnetos, genros, noras, agregados, namoros e amizades que deram certo e que não deram muito certo. A roça. Nossa conselheira, nosso código de ética, nossa proteção e porto seguro. Roça mundo. O mundo inteiro sobre quatro pés rachados, equilibrando seu peso sobre duas pilastras de bambu, palha, taquara e balaio. Tão bravos e constantes em suas posições, que a gente até esqueceu do material (do qual foram feitos), que são matéria; que não há matéria que não acompanhe o amarelar da Folhinha de Mariana.

É, eu sei; a queda de um pilar é tão natural, certo e cíclico quanto o outono. Todos acham normal, mas a gente que é da roça acha estranho. Só a gente que é da roça para entender o que acontece quando cai um pilar. A roça acaba. Não tem mais queijo, não tem mais saco de mexerica no porta-malas, não tem ‘caldin de frango caipira cum quiabo’, não tem almoço de domingo, não tem caduquices, nem risadas das caduquices, não tem benção, nem benzeção contra quebrando e espinhela caída, não tem … (ai, como é difícil!) … e a fogueira de São João, como fica?

Só a gente que veio da roça, dessas roças que resistem ao latifúndio e à cidade, sobre decrescentes pilares de pau-a-pique, para entender a falta que o norte faz. Só a gente que veio da roça, que cresceu em volta de fogão de lenha, administrando e fazendo a própria panela de ferro, o próprio ‘cumê’, para misturar trabalho com liberdade. Só a gente que veio da roça, essa gente simples e teimosa das Minas Gerais, das gerais do mundo, para colocar a família, o outro, o amor acima de todas as coisas; para sentir a dor e pressentir a gravidade do derradeiro ponto final.”

Pensamento do dia

Para mim o mágico da poesia eh conseguir colocar em palavras exatamente e precisamente aquilo que não sabíamos verbalizar. Ah… e como o Mia Couto me conhece! 😉

“Diante de mim
o universo se dissolveu
e um respirar de céu
em meu peito se inundou.

Mia Couto

No livro “Vagas e lumes”
Excerto do poema “Inundar de infância”

O elefante

No primeiro andar: uma escola para criancas de 3 meses a 5 anos de idade.

Em frente ao predio: um espaco grande onde os professores da escola costumam brincar com as criancas e desenhar na calcada com gesso.

No segundo e terceiro andar: Escritorios de empresas como a empresa de luz da cidade e a companhia de trems da cidade.

Ja no andar terreo… uma galeria de arte, recem inaugurada, com a seguinte exposicao:

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Quando fui buscar o Pimpolho naquela tarde e me deparei com esta “arte” inesperada, fiquei sem saber se ria, se me espantava e depois de alguns minutos de assimilacao acabei pensando alto: “Povo mais maluco que tem nesse pais…”

Ja o Pimpolho, quando viu a escultura, nao teve duvida nenhuma e foi logo verbalizando com toda a sabedoria que acumula no auge dos seus 2 anos de idade: “Palece elefante, mamae!”

E entao eu entendi que aquilo la era “arte” mesmo! 😉

 

“O” por do sol em Basel!

Normalmente eu busco o Pimpolho na creche de bicicleta. Eh que assim eu consigo trabalhar ate o ultimo minutinho e com a bicicleta chego rapidinho na creche. Ontem porem me deu vontade de fazer uma caminhada e fui a pé, devagar, pensando na vida. Talvez porque a tarde, apesar de fria, estava bonita, com céu claro e um sol que já se  escondia as 16:30hs!!! Eh o inverno…

O que eu não esperava, no entanto, era me deparar com uma das paisagens mais bonitas que já vi aqui em Basel. Graças a minha “não-pressa” consegui perceber e contemplar este momento. Que bom! Estou “orgulhosa” de mim mesma por ter me permitido este momento. Num mundo em que tudo eh tão rápido, tão corrido, com tantos afazeres… como eh difícil tirar um tempinho, pequenininho que seja, pra gente mesmo, para alimentar nossas almas. 🙂

Nem de longe as fotos ai embaixo retratam a beleza do que vi (provavelmente culpa da fotografa aqui que não leva jeito para a coisa)… Enfim, um lindo por do sol me esperava no caminho de volta enquanto caminhava sobre um viaduto com meu Pimpolhinho. Eh claro que precisei parar para fotografar. E não foi só eu não. Todo mundo que passava por aquele viaduto, incluindo os ciclistas, parava,  suspirava, se enchia daquela luminosidade maravilhosa, sacava seus telefones e click! Guardava para sempre aquele momento de beleza e paz. Pelo caminho pude perceber varias pessoas que pararam por um momento, ali, no meio do viaduto, para apenas contemplar. Uma cena realmente inspiradora!

Obrigada ao universo por este lindo presente!

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Eu nao entendo de arte…

Eh verdade, não sou especialista em arte mas a criatividade (ou falta dela) das pessoas sempre me surpreende aqui em Basel. Esta “linda” obra de arte, dentre outras, foi colocada no parque que fica em frente aqui de casa. Trata-se de uma “plantação” de vassouras (???).Coisa linda, ne não?  E serve para que mesmo? Se alguém conseguir entender o que isto significa, por favor me avise.

Arte moderna (?)