Sobre como nos locomovemos em Basel

Estorinha 1: A bicicleta!

Algumas semanas atras o Pimpolho ganhou a sua primeira bicicleta. Quando a viu pela primeira vez, ele, no auge da sua felicidade e sabedoria, disse embolando as letras e palavras:

” Bilieta, papai! Bilieta, mamae!”

E entao explicamos que era um presente para ele e que ele poderia andar com ela. Foi entao que ele pegou o capacete, colocou na cabeca, pegou a bicicleta e falou:

“Agola “Pimpolho” vai trabaia!”

Fez uma cara seria e saiu… rumo ao seu trabalho imaginario…

Moral da estoria: todas as manhas saimos com nossas bicicletas para o trabalho. Portanto, na cabecinha logica do nosso Pimpolho a bicicleta eh um veiculo que nos transporta ao trabalho.

Estorinha 2: O carro!

Alguns finais de semana atras marcamos de visitar um amigo que mora um pouco distante de Basel. Como nao temos carro, reservamos o servico de “car sharing” (carro compartilhado) que usamos aqui na Suica. Foi entao que o papai chegou em casa dirigindo o carro e o Pimpolho ja sabia que aquele dia era dia de PASSEAR.

Moral da estoria: aqui em Basel somente usamos carro quando precisamos sair da cidade. Isso significa que carro para o Pimpolho eh um acontecimento muito especial e sinonimo de viagem.

carro X bicicleta - Google Search_2015-04-16_15-05-17

PS: este eh o motivo de estarmos super sarados, lindos e ricos aqui em casa! hahahaha

Um dia com a Pipoca

Levanto cedo, acordo o Pimpolho, troco de roupa enquanto ele toma a mamadeira que meu marido preparou. Arrumo a minha cama, arrumo a cama dele, brinco com ele de carrinho e faço brum-brum-brum. Convenço ele que a roupa que ele esta usando eh só para dormir e que ele precisa trocar de roupa para ir para creche. Repito isto umas dez vezes. Ele se convence e resolve aceitar que eh hora de trocar de roupa. Tiro a roupa dele. Pego uma fralda limpa e tento colocar nele. Ele bate as perninhas, me chuta e da gargalhadas. Eu conto ate dez e explico que não pode fazer isto. Ele ri mais ainda e bate as pernas de novo. Eu conto ate dez, ate vinte. Explico novamente que preciso colocar a fralda nele e que ele precisa me ajudar. Ele ri e continua. Eu “engrosso” a voz e aviso a ele que eu estou perdendo a paciência. Ele já reconhece meu tom de voz quando estou prestes a rodar a bahiana e resolve ficar quieto. Ele olha para mim sorrindo e fala: “Mamae”. Pronto, já me acalmei. Acabo de trocar a roupa dele. Brinco mais um pouco de carrinho, brum-brum. Chamo ele para tomar café da manha comigo. Ele não quer vir. Explico que esta na hora de ir para creche para brincar com os amiguinhos dele. Ele fala o nome dos professores e dos amiguinhos mas não quer vir tomar café da manha. Finjo que vou sozinha para convence-lo e saio do campo de visao dele. Ele me chama: “Mamae!”. Volto para busca-lo e o carrego no colo ja que ele ainda nao que vir tomar cafe da manha. Pergunto se ele que pão: “Nao”. Banana: “Nao”. Cereal:”Nao”. Faco meu cha e preparo meu cereal. Me assento a mesa para comer enquanto ele brinca de carrinho. Ele vem para o meu colo e pede para comer o meu cereal. Eu dou. Quase nao como porque ele comeu quase tudo. Ele volta a brincar de carrinho, agora com o meu marido, enquanto eu organizo a cozinha e a sala. Lembro que tem roupa secando que precisa ser dobrada e guardada. Olho no relógio e vejo que nao da tempo de fazer isto agora. Escovo meus dentes escondido do Pimpolho porque se ele resolver escovar os dentes perderemos no minimo 15 minutos, eu ficarei estressada e estaremos atrasados. Meu marido sai para o trabalho. Chamo o Pimpolho para colocar bota porque esta frio. Ele não quer. Coloco a minha bota e mostro para ele que a bota dele parece com a minha e que eh legal colocar bota. Ele gosta da brincadeira e aceita. Faco o mesmo com as jaquetas. Falo para ele que agora podemos ir para a creche. Ele volta para sala e pega um trenzinho e um carrinho para levar. Me chama e pede para que eu pegue mais dois carrinhos ja que ele nao tem mao para tudo. Pego os carrinhos e o convenço a sair de casa. Coloco ele na bicicleta. Ajeito tudo. Procuro meu celular na bolsa e nao acho. Tiro ele da bicicleta que ja estava na rua e volto para dentro de casa para procurar o celular. Procuro no quarto, na sala, na cozinha e nao acho. Reviro novamente a bolsa e descubro que ele estava la. Volto com o Pimpolho para a bicicleta. Finalmente conseguimos sair. No caminho meu nariz escorre e sai agua dos meus olhos por causa do frio. Minhas mãos congelam porque me esqueci das luvas. Noto que a bicicleta esta fazendo um barulho estranho e esta mais pesada que o normal. Continuo assim mesmo. Chego na creche. Tiro ele da bicicleta, bato na porta, entro com ele, tiro a jaqueta, a bota, coloco o sapato e o levo para a salinha. Ele ve os amigos e se alegra tanto que nem se lembra de me dar um beijo e um tiauzinho. Fico triste mas aliviada por ele nao ter chorado hoje. Pego a bicicleta e pedalo ate o escritorio. Ela continua mais pesada que o normal. Chego sem folego e ja suada no trabalho. Trabalho o dia todo e entre tudo que fiz me aborreço com um cliente suico que nao sabe falar ingles mas que jura que sabe. Finalmente chega a hora de buscar o Pimpolho na creche. Pego a bicicleta. Pedalo uma quadra e me sinto exausta! Que peso! Empurro a biciccleta ate a creche. Entro na creche, escuto as novidades do dia, vejo o que ele comeu, onde , de que  e com quem brincou. Converso com a mae de uma amiguinha do Pimpolho. Combinamos de fazer algo juntas um dia desses. JA combinamos isto umas vinte vezes e nunca conseguimos marcar nada. Conveco o Pimpolho que eh hora de ir embora. Ele quer ficar na creche brincando. Explico que no dia seguinte voltaremos. Ensino a ele dar tiau para os amiguinhos. Ele balanca as maozinhas para os professores e amiguinhos. Coloco a jaqueta e explico que precisamos colocar as botas porque esta frio. Ele sai correndo pelo corredor. Eu o chamo uma, duas, tres vezes. Ele ri e nao volta. Vou busca-lo e o coloco no banquinho. Ele pergunta pelos carrinhos. Entrego um carrinho para ele enquanto pego a bota. Coloco um pe e ele pergunta pelo trenzinho. Dou o trenzinho para ele enquanto coloco o outro pe. Saimos da creche. Coloco ele na bicicleta e ja nem penso em pedala-la mais. Vou empurrando a bicicleta ate a metade do caminho. Me canso e resolvo tentar pedalar um pouco. Que peso! Coloco a marcha mais leve possivel e ando na velocidade de uma tartaruga. Penso que ainda bem que os suicos sao educados no transito; principalmente quando veem bicicleta com crianca. Gracas a Deus nao escuto nenhuma buzina. O carrinho cai da mao do Pimpolho e ele chora. Paro a bicicleta para pegar o carrinho para ele. Isto acontece mais duas vezes durante o trajeto. Chego em casa sem ar de tao cansada. Tiro  o Pimpolho da bicicleta. Ele nao que entrar em casa. Explico que esta frio e escuro e que precisamos entrar. Ele nao quer. Carrego ele no colo e o coloco dentro de casa. Tiro a jaqueta e a bota. Ele chora. Falo para ele ir brincar na sala. Ele nao quer. Vou com ele brincar de carrinho brum-brum. Explico que preciso comecar a cozinhar o jantar e pergunto se ele quer assistir um video. Ele diz que sim. Coloco o video e nao sei ligar o som. Ele assiste o video mudo. Vou para a cozinha. Pico verduras para fazer um molho. Preparo macarrao com molho de verduras e coloco pao de queijo no forno porque me deu vontade e acho que mereco. Esquento uma sopinha para o Pimpolho.  Levo para ele e ele gosta. Come tudo e pede mais. Ele eh comilao, gracas a Deus. Dou um pao de queijo para ele enquanto janto. Como um pao de queijo quentinho. Como dois. Como tres. Perco a conta de quanto comi. Deixo a cozinha baguncada para brincar com o Pimpolho. Coloco as musicas favoritas dele (O sol – Jota Quest, e Amiga da minha mulher do Seu Jorge). Dancamos juntos segurando o coelhinho e o macaco. Corremos pela sala. Ele deita no chao e me pede para deitar tambem. Ele gargalha,  bagunca o meu cabelo e pula nas minhas costas. Faco cocegas nele. Meu marido chega e brinca com o Pimpolho enquanto eu organizo a cozinha. Chamamos o Pimpolho para tomar banho. Ele nao quer. Fazemos uma brincadeira de pega-pega e vamos correndo para o banheiro. Colocamos ele na banheira. Ele brinca com a agua. Vejo que o banheiro esta imundo e que preciso limpa-lo. Acabado o banho meu marido cuida do Pimpolho enquanto eu pego o balde, vassoura, bucha e etc e vou lavar o banheiro. Limpo tudo ate que fique bem cheirosinho e limpinho. Meu marido da mamadeira ao Pimpolho e o coloca para dormir. Acabo de arrumar a cozinha. Varro a casa. Vou tomar meu banho. Tomo meu chazinho para acalmar.

Nem todos os meus dias sao assim…Mas hoje foi phoda e eu estou exausta!

Boa noite.

Transito…

Quarta-feira, 8 da manha em algum lugar perto de Belo Horizonte – Brasil. Grupo do whatsapp da minha família. Meu primo manda essa foto:

IMG_4675-2.JPG

Os outros primos e parentes começam a mandar informações sobre outros congestionamentos na mesma cidade. Cada um no seu carro, cruzando a cidade e indo para lugares diferentes. Ninguém do grupo está em transporte público. Ninguem do grupo está de carona. Ninguém do grupo está indo para o trabalho de bicicleta ou a pé. Ooops, mentira! Eu estou no grupo e eu estou no transporte público! Estou no trem. Limpo, no horário, organizado, com banheiro e poltronas confortáveis. O trem eh também silencioso. De vez em quando um celular toca e então se escuta uma conversa ou outra. Ao meu lado uma senhora retoca calmamente a sua maquiagem. O homem do banco ao lado lê um livro. Já o da frente parece trabalhar no seu lap top. Uma moça entrou com seu cachorro que educadamente se deitou debaixo do banco. Ninguém fez cara feia. Eu escrevo este post do meu celular e não tenho nenhum medo de ser assaltada.

E então a distância entre a Suíça e o Brasil se torna galáctica!

Salve, salve o Haddad!!! Aquele que será conhecido futuramente como o primeiro prefeito a implementar ciclovias em Sao Paulo. E eu que achei que nunca nesta minha vida andaria de bike em Sampa! Ja poderei andar nas minhas próximas ferias! E que isto chegue a BH!! E tambem a outras cidades brasileiras. E que venham também trens e mais linhas de metro. E que os ônibus sejam mais frequentes e com mais qualidade. E que os brasileiros nao adorem tanto a ideia de ter carro. Dias melhores virão! 😉

Moro na Suica a 6 anos (ja?!!), nunca tive carro mas sempre tive bicicleta. Estou na minha segunda bike porque a minha primeira foi roubada… Com a chegada do Pimpolho investimos em uma bicicleta maior e mais cara, com lugar na frente para ele (ver este post). Usamos todos os dias para leva-lo e busca-lo na creche. Meu marido vai para o trabalho de bicicleta. Nas raras ocasioes em que preciso de carro, utilizo o Mobility, que eh um dos esquemas de carro compartilhado que a Suica oferece. E isto so eh possivel porque temos otimas ciclovias na cidade. Posso ser uma grande sonhadora, mas nao vejo porque outras cidades em outros paises nao poderiam tambem ser assim…

 

Os vizinhos suicos “gente-boa” e a bicicleta para carregar o Pimpolho

Então o Marido resolveu comprar uma daquelas bicicletas grandes que da para levar o Pimpolho (e mais 1 ou duas crianças… será???) na frente. A bike foi entregue num dia chuvoso (o que não eh novidade por essas bandas de cá!) mais ou menos na hora do almoço. Toda embaladinha e ate brilhando de tão novinha. O próprio cara que veio entrega-la me perguntou:

– Onde você quer que eu a coloque? Acho melhor não deixa-la aqui na rua…

E eu então descobri que tínhamos comprado um problema já que não temos garagem no nosso prédio e não tínhamos pensando em onde deixar a bike! O jeito foi “apelar” para o hall de entrada do prédio e para isto a bike ficou meio que na porta de uma oficina de quadros que funciona no primeiro andar… Pedi ao carinha que deixasse ali mesmo e depois que ele saiu eu fui bater na porta da oficina já imaginando o “sermão da montanha em suico-alemao” que teria que escutar.
Bom, respirei fundo e bati na porta. Foi então que a dona da oficina abriu a porta e me surpreendeu. E ate hoje ela e o marido nos surpreendem!

Ela viu a bicicleta e elogiou falando que era muito bonita. Eu, com meu alemão medíocre, tentei explicar que não tínhamos lugar para colocar a bike e que gostaria de deixa-la ali ate que meu marido chegasse do trabalho. Ela respondeu que não tinha problema e foi muito simpática. No final da tarde, quando o Marido voltou, começamos a pensar em um lugar para deixar aquela bike novinha. Ligamos para alguns lugares para alugarmos uma garagem e nada… Então vimos que não tinha jeito e teríamos que deixa-la na rua mesmo aquela noite. Quando estávamos movimentando a bicicleta para tirarmos do prédio, eis que chega a dona da oficina e nos pergunta se tínhamos achado lugar para deixar a bicicleta. Explicamos que não mas que deixaríamos a bike na rua para não atrapalha-la. E ela então foi muito gentil mais uma vez e nos ofereceu para deixarmos a bicicleta ali mesmo naquela noite.

No dia seguinte, com mais calma, ligamos para mais alguns lugares e conseguimos alugar uma vaga a partir de… novembro… mas nos estávamos em setembro… (a “saga” para encontrar um imóvel que a Chris descreveu no post dela- clique aqui – também vale para estacionamento em Basel… inclusive de bicicletas e motos!). Bom, não tinha jeito, de setembro a novembro a bike ia ter que dormir na rua. Pois, naquele dia mesmo e por acaso, encontramos novamente a nossa “vizinha gente-boa” que novamente nos perguntou se tínhamos encontrado um lugar para a bike. Explicamos que tínhamos encontrado para novembro e eis que ela então nos mostrou o seu certificado de “gente-boa” nos oferecendo para deixarmos a bike toda noite na porta dela! Dissemos que não porque não queríamos atrapalha-la e ela insistiu dizendo que não havia problema algum para ela e dizendo que na rua era perigoso porque a bike era muito novinha.

Enfim, a bike ainda “dorme” la na porta dela toda noite. E ela e o marido continuam muito simpáticos e sorridentes toda vez que nos encontram. Ao comprarmos a bike descobrimos que temos vizinhos muito gente boa que não conhecíamos! 🙂

Para quem se interessou pelo assunto de bicicletas para carregar crianças, clique aqui para ver um vídeo bem legal e informativo.