Intimidade

Ja dizia  um querido amigo  meu: ” o que mata  é a intimidade “.

Eu ja desconfiava  que as minhas idas constantes ao médico para tratar da minha coluna estavam criando alguma intimidade não só com o meu médico mas  também com sua  secretária.  Mas como  ambos são suíços não tinha certeza disso. Disse não tinha… até a minha  consulta da semana passada.
Foi assim… cheguei  ao consultório num calor de 37graus. Sol de rachar mamona e ar parado. Nenhum ventinho, nenhum arzinho. Dou boa tarde para a secretária que parece estar  derretendo e pergunto se ela gosta de calor.
“- não,  eu não  gosto.” Responde ela.
E continua:
“-eu nao gosto  de calor  porque  as pessoas  fedem.”
Eu sorrio meio espantada com a declaração e ela coloca o dedo na boca em sinal de silêncio me pedindo para não contar para ninguém.  Depois da uma risadinha balançando a mão  em frente ao nariz e fazendo uma careta.
Juro que se não tivesse tomado banho antes de ir para a consulta, ficaria preocupada… mas era só  excesso de intimidade mesmo. Esses suíços… 😂🙊

O elefante

No primeiro andar: uma escola para criancas de 3 meses a 5 anos de idade.

Em frente ao predio: um espaco grande onde os professores da escola costumam brincar com as criancas e desenhar na calcada com gesso.

No segundo e terceiro andar: Escritorios de empresas como a empresa de luz da cidade e a companhia de trems da cidade.

Ja no andar terreo… uma galeria de arte, recem inaugurada, com a seguinte exposicao:

10868276_1527816870835349_398464368222918463_n

 

Quando fui buscar o Pimpolho naquela tarde e me deparei com esta “arte” inesperada, fiquei sem saber se ria, se me espantava e depois de alguns minutos de assimilacao acabei pensando alto: “Povo mais maluco que tem nesse pais…”

Ja o Pimpolho, quando viu a escultura, nao teve duvida nenhuma e foi logo verbalizando com toda a sabedoria que acumula no auge dos seus 2 anos de idade: “Palece elefante, mamae!”

E entao eu entendi que aquilo la era “arte” mesmo! 😉

 

Sobre o tal dialeto

Cerca de três ou quatro anos atrás, eu e Marido, fomos convidados para  jantar na casa de um casal de amigos recém-chegados a Basel. Ele, inglês. Ela, alemã. Eles tinham e ainda tem dois filhos. Todos da família falavam fluentemente a língua inglesa e a língua alemã. Durante o jantar lembro-me de termos ficado muito impressionados com a dificuldade relatada por este casal em se adaptar a Basel. Entre vários motivos de insatisfação, lembro-me de vê-los extremamente desapontados e preocupados pois as crianças, que ate então falavam alemão fluentemente e sem dificuldade, tinham começado, já depois de poucas semanas morando em Basel, a misturar o alemão oficial (Hochdeutsch) com o dialeto de Basel.

Quando saímos da casa deles, eu e Marido, ficamos um pouco chocados e conversamos sobre como Basel eh uma cidade de difícil adaptação para tantas pessoas. Lembro-me de conversarmos sobre a nossa surpresa em saber que mesmo pessoas que falam alemão sentirem esta dificuldade. E por fim, conversamos sobre como a decepção que eles estavam tendo com as crianças falando e misturando o alemão oficial com o dialeto de Basel nos parecia algo meio exagerado…

Pois bem… ontem cheguei mais cedo para buscar o Pimpolho na creche. Como eles ainda não tinham terminado as atividades e o Pimpolho não queria ir embora, me sentei próximo a ele enquanto a professora (recém-contratada e de nacionalidade suíça) ensinava os números para as crianças… em dialeto! As crianças, que ate a semana passada estavam acostumadas com a antiga professora que era alemã e que consequentemente ensinava em alemão oficial, prestavam atenção meio surpresos. Aos poucos eles começaram a repetir as palavras em dialeto. E aos poucos eu ia me sentindo mais e mais desapontada e preocupada… exatamente como aquela alemã que conheci alguns anos atrás. Porque pimenta não eh refresco quando em nos nossos olhos…

Desabafo de mãe: o Pimpolho já estava falando um alemão tão bonitinho… e lá vem esse maldito dialeto atrapalhar tudo. Dialetopragadosinferno!  😦

Suíços, os reclamões.

O domingo começou assim: lindo! Céu azul, temperatura agradável, passarinhos cantando e um clima de ” a vida eh tão perfeita, não temos do que reclamar”! Mas será que os suíços também tem essa sensação de dia perfeito em que nada consegue incomoda-los? Uhmmm, vejamos:

 

Episódio 1:

Para aproveitar o domingo ensolarado (coisa rara por aqui), eu e Marido pegamos logo o Pimpolho e o levamos para passear pelas ruas. Ja que tínhamos a rara visita do nosso amigo Sol, queríamos aproveitar cada segundinho dele em contato com nossas peles branquelissimas. Pois bem, escolhemos as ruas mais ensolaradas para caminhar. Evitamos o parque que tem muitas arvores e consequentemente muita sombra. Ate que nos lembramos que tem uma pista de atletismo, aberta ao publico, aqui perto de casa. Opa! Lugar tranquilo, sem transito e … TOTALMENTE ensolarado. Então lá fomos nos! Como era muito cedinho só havia UMA mulher se exercitando na pista, que por sinal eh gigantesca. E a nossa diversão começou. Fomos com o Pimpolho para caminhar e brincar na pista e conseguimos dar meia volta ate que a infeliz da ÚNICA suíça que se exercitava na pista veio nos dizer que não era permitido caminhar ali com criança e carrinho. Oi??? Ela ainda disse que poderíamos ficar fora da pista mas dentro da pista não era permitido. Ate pensei em render assunto e perguntar a ela aonde eh que aquela “regra” estava escrita e render um bate boca daqueles (coisa que adoro eh bater boca com suíço)… mas sabe o que? O sol e o céu azul me convidavam para um dia maravilhoso e eu ainda tinha o domingo inteirinho para aproveitar. Melhor não estraga-lo com alguém que saiu da cama procurando motivo fútil para se irritar.

Episódio 2:

Saímos da pista e fomos caminhar pelas ruas de Basel. Passamos perto de varias quadras de futebol onde as pessoas normalmente se reúnem para “bater bola”. De longe vejo um senhor que sempre caminha pelas ruas do bairro onde moramos. Vejo que ele para e começa a falar com alguns rapazes que tinham o carro estacionado próximo a entrada das quadras. No inicio achei que este senhor os conhecia mas depois percebi que não. Eh que ao ver que os rapazes tinham parado o carro em uma “não-vaga” para descarregar os uniformes, tênis, bola e etc; o senhor, que estava fazendo sua caminhada matinal, resolveu parar para reclamar com os rapazes que era proibido estacionar naquele lugar. E reclamou, e reclamou, e reclamou… E ele só foi embora depois que os rapazes tiraram o carro do lugar que não era “vaga”. Depois disso ele então continuou a sua caminhada matinal.

 

Fiquei pensando se a “suíça da pista de atletismo” e o “senhorzinho reclamão” voltaram para casa felizes e contentes por terem conseguido algo ou alguém para reclamar. Sera? hehehe

 

 

 

Cadê?

Tudo bem que ja tinha tempos que não a trancávamos… Eh que ela estava velhinha demais. Foi comprada logo que cheguei aqui. Escolhida pelo preço. A mais barata da loja! Não tinha nada de especial mas me proporcionou ótimos momentos, passeamos juntas muitas vezes, rodamos pela cidade e ate fomos para um tour na Franca com alguns amigos! E tudo bem que sempre fui péssima para ela. Confesso… Nunca cuidei dela direito. Ficava na rua, no frio, na neve, na chuva, nos sol… nunca foi para a manutenção porque sempre achei que me cobrariam mais do que ela tinha me custado quando nova. No final ele estava bem caquética, pobrezinha… Mas, né? Era minha!!! Ate que um dia ela desapareceu… Ate que um dia roubaram a minha bicicleta que estava na porta do prédio onde moro!

Percebemos o roubo logo pela manha. Era um sábado. No horário de almoço sai para dar uma voltinha na vizinhança com o Pimpolho. Dei volta em alguns quarteirões e ao virar uma esquina a dois quarteirões de casa, adivinha quem eu encontro???? Ela mesma! A minha caqueticazinha! 🙂 Estava lá, estacionada na porta de outro prédio, a poucos metros de casa. Fiquei pensando que este ladrão era mesmo muito cara de pau! Alem de roubar a minha bike ainda morava perto da minha casa! A minha vontade era empurra-la de volta para casa mas não consegui porque já estava empurrando o carrinho de bebe com o Pimpolho. Voltei lá no final da tarde com a intenção de resgata-la mas desta vez já não a encontrei mais…

Acabei comprando outra bicicleta. Mas sempre passo na rua onde ela estava estacionada e, se um dia ela estiver por lá, eu a trago de volta!!!!

photo1

Minha lindinha na porta de outro predio… 😦

PS: para quem não sabe ou eh desavisado: roubo de bicicleta aqui em Basel eh algo muito comum, infelizmente. Mesmo quando elas estão com trancas. Portanto, fique atento!

 

 

 

Tem coisas que só um suíço eh capaz de fazer!

Tarde de vento forte em Basel. Da minha mesa de trabalho via pela janela as arvores balançando com galhas sem folhas. E escutava também o ruído do vento. Resolvi dar uma olhadinha mais de perto da janela. Eis que vejo o tram* parado. Na frente dele vejo que varias madeiras e outras sinalizações da reforma da rua haviam caído sobre os trilhos. E o vento continuava forte. E com chuva. Mas um homem e uma mulher que vinham atravessando a rua resolveram então parar sua caminhada e tirar toda a tralha que atrapalhava a passagem do tram. Isto assim… gratuitamente e voluntariamente. Ficaram ali, vários minutos, debaixo de chuva levantando tábuas, placas e seus suportes para que o tram pudesse passar. E oh, pelo esforço que eles faziam dava para perceber que eram coisas bem pesadas. Acabado o trabalho (voluntário) eles seguiram seus caminhos a pé e em direcao oposta ao tram. Ou seja, eles nem estavam esperando para pegar o tram…

Isto me fez lembrar o dia em que eu vi um acidente de transito aqui. Acidente bobo, daqueles em que um carro bate na traseira do outro e quebra a luz de freio e os faróis. Dai os motoristas desceram dos respectivos carros e eu, como boa brasileira, pensei: “La vem o barraco…”. Pois querem saber, não houve barraco algum. Ninguém nem levantou a voz. Conversaram durante alguns minutos, um deles começou a telefonar provavelmente chamando a policia ou as seguradoras. E o outro motorista… bom, o outro motorista abriu o porta malas e pegou uma vassoura e uma pazinha de lixo e começou a varrer os cacos de vidro da rua!! Pasmei!

Fala verdade, tem coisas que só um suíço eh capaz de fazer, né não? 😉

limpeza nas ruas da suica - Google Search_2014-02-13_15-07-47

Pensando alto:  que tipo de motorista carrega uma vassoura e uma pá de lixo no porta malas… (?)

* tram eh como se chama o transporte publico daqui. Eh tipo um bonde.

Sobre banhos (ou falta de…)

Lendo um livro sobre a idade entre 1 e 2 anos das crianças. O livro eh do grupo de mães daqui de Basel. Entre dicas e recomendações me deparei com a seguinte recomendação referente a “banhos“.

Tradução livre para quem não fala inglês: “Banhos podem ser divertidos por razoes higiênicas, entretanto, não são necessários todos os dias. 1 ou 2 banhos semanais são suficientes. Excesso de banhos podem danificar a pele…

Hahaha, absurdo total para uma mãe brasileira!!!

20140208-095603.jpg