Um dia com a Pipoca

Levanto cedo, acordo o Pimpolho, troco de roupa enquanto ele toma a mamadeira que meu marido preparou. Arrumo a minha cama, arrumo a cama dele, brinco com ele de carrinho e faço brum-brum-brum. Convenço ele que a roupa que ele esta usando eh só para dormir e que ele precisa trocar de roupa para ir para creche. Repito isto umas dez vezes. Ele se convence e resolve aceitar que eh hora de trocar de roupa. Tiro a roupa dele. Pego uma fralda limpa e tento colocar nele. Ele bate as perninhas, me chuta e da gargalhadas. Eu conto ate dez e explico que não pode fazer isto. Ele ri mais ainda e bate as pernas de novo. Eu conto ate dez, ate vinte. Explico novamente que preciso colocar a fralda nele e que ele precisa me ajudar. Ele ri e continua. Eu “engrosso” a voz e aviso a ele que eu estou perdendo a paciência. Ele já reconhece meu tom de voz quando estou prestes a rodar a bahiana e resolve ficar quieto. Ele olha para mim sorrindo e fala: “Mamae”. Pronto, já me acalmei. Acabo de trocar a roupa dele. Brinco mais um pouco de carrinho, brum-brum. Chamo ele para tomar café da manha comigo. Ele não quer vir. Explico que esta na hora de ir para creche para brincar com os amiguinhos dele. Ele fala o nome dos professores e dos amiguinhos mas não quer vir tomar café da manha. Finjo que vou sozinha para convence-lo e saio do campo de visao dele. Ele me chama: “Mamae!”. Volto para busca-lo e o carrego no colo ja que ele ainda nao que vir tomar cafe da manha. Pergunto se ele que pão: “Nao”. Banana: “Nao”. Cereal:”Nao”. Faco meu cha e preparo meu cereal. Me assento a mesa para comer enquanto ele brinca de carrinho. Ele vem para o meu colo e pede para comer o meu cereal. Eu dou. Quase nao como porque ele comeu quase tudo. Ele volta a brincar de carrinho, agora com o meu marido, enquanto eu organizo a cozinha e a sala. Lembro que tem roupa secando que precisa ser dobrada e guardada. Olho no relógio e vejo que nao da tempo de fazer isto agora. Escovo meus dentes escondido do Pimpolho porque se ele resolver escovar os dentes perderemos no minimo 15 minutos, eu ficarei estressada e estaremos atrasados. Meu marido sai para o trabalho. Chamo o Pimpolho para colocar bota porque esta frio. Ele não quer. Coloco a minha bota e mostro para ele que a bota dele parece com a minha e que eh legal colocar bota. Ele gosta da brincadeira e aceita. Faco o mesmo com as jaquetas. Falo para ele que agora podemos ir para a creche. Ele volta para sala e pega um trenzinho e um carrinho para levar. Me chama e pede para que eu pegue mais dois carrinhos ja que ele nao tem mao para tudo. Pego os carrinhos e o convenço a sair de casa. Coloco ele na bicicleta. Ajeito tudo. Procuro meu celular na bolsa e nao acho. Tiro ele da bicicleta que ja estava na rua e volto para dentro de casa para procurar o celular. Procuro no quarto, na sala, na cozinha e nao acho. Reviro novamente a bolsa e descubro que ele estava la. Volto com o Pimpolho para a bicicleta. Finalmente conseguimos sair. No caminho meu nariz escorre e sai agua dos meus olhos por causa do frio. Minhas mãos congelam porque me esqueci das luvas. Noto que a bicicleta esta fazendo um barulho estranho e esta mais pesada que o normal. Continuo assim mesmo. Chego na creche. Tiro ele da bicicleta, bato na porta, entro com ele, tiro a jaqueta, a bota, coloco o sapato e o levo para a salinha. Ele ve os amigos e se alegra tanto que nem se lembra de me dar um beijo e um tiauzinho. Fico triste mas aliviada por ele nao ter chorado hoje. Pego a bicicleta e pedalo ate o escritorio. Ela continua mais pesada que o normal. Chego sem folego e ja suada no trabalho. Trabalho o dia todo e entre tudo que fiz me aborreço com um cliente suico que nao sabe falar ingles mas que jura que sabe. Finalmente chega a hora de buscar o Pimpolho na creche. Pego a bicicleta. Pedalo uma quadra e me sinto exausta! Que peso! Empurro a biciccleta ate a creche. Entro na creche, escuto as novidades do dia, vejo o que ele comeu, onde , de que  e com quem brincou. Converso com a mae de uma amiguinha do Pimpolho. Combinamos de fazer algo juntas um dia desses. JA combinamos isto umas vinte vezes e nunca conseguimos marcar nada. Conveco o Pimpolho que eh hora de ir embora. Ele quer ficar na creche brincando. Explico que no dia seguinte voltaremos. Ensino a ele dar tiau para os amiguinhos. Ele balanca as maozinhas para os professores e amiguinhos. Coloco a jaqueta e explico que precisamos colocar as botas porque esta frio. Ele sai correndo pelo corredor. Eu o chamo uma, duas, tres vezes. Ele ri e nao volta. Vou busca-lo e o coloco no banquinho. Ele pergunta pelos carrinhos. Entrego um carrinho para ele enquanto pego a bota. Coloco um pe e ele pergunta pelo trenzinho. Dou o trenzinho para ele enquanto coloco o outro pe. Saimos da creche. Coloco ele na bicicleta e ja nem penso em pedala-la mais. Vou empurrando a bicicleta ate a metade do caminho. Me canso e resolvo tentar pedalar um pouco. Que peso! Coloco a marcha mais leve possivel e ando na velocidade de uma tartaruga. Penso que ainda bem que os suicos sao educados no transito; principalmente quando veem bicicleta com crianca. Gracas a Deus nao escuto nenhuma buzina. O carrinho cai da mao do Pimpolho e ele chora. Paro a bicicleta para pegar o carrinho para ele. Isto acontece mais duas vezes durante o trajeto. Chego em casa sem ar de tao cansada. Tiro  o Pimpolho da bicicleta. Ele nao que entrar em casa. Explico que esta frio e escuro e que precisamos entrar. Ele nao quer. Carrego ele no colo e o coloco dentro de casa. Tiro a jaqueta e a bota. Ele chora. Falo para ele ir brincar na sala. Ele nao quer. Vou com ele brincar de carrinho brum-brum. Explico que preciso comecar a cozinhar o jantar e pergunto se ele quer assistir um video. Ele diz que sim. Coloco o video e nao sei ligar o som. Ele assiste o video mudo. Vou para a cozinha. Pico verduras para fazer um molho. Preparo macarrao com molho de verduras e coloco pao de queijo no forno porque me deu vontade e acho que mereco. Esquento uma sopinha para o Pimpolho.  Levo para ele e ele gosta. Come tudo e pede mais. Ele eh comilao, gracas a Deus. Dou um pao de queijo para ele enquanto janto. Como um pao de queijo quentinho. Como dois. Como tres. Perco a conta de quanto comi. Deixo a cozinha baguncada para brincar com o Pimpolho. Coloco as musicas favoritas dele (O sol – Jota Quest, e Amiga da minha mulher do Seu Jorge). Dancamos juntos segurando o coelhinho e o macaco. Corremos pela sala. Ele deita no chao e me pede para deitar tambem. Ele gargalha,  bagunca o meu cabelo e pula nas minhas costas. Faco cocegas nele. Meu marido chega e brinca com o Pimpolho enquanto eu organizo a cozinha. Chamamos o Pimpolho para tomar banho. Ele nao quer. Fazemos uma brincadeira de pega-pega e vamos correndo para o banheiro. Colocamos ele na banheira. Ele brinca com a agua. Vejo que o banheiro esta imundo e que preciso limpa-lo. Acabado o banho meu marido cuida do Pimpolho enquanto eu pego o balde, vassoura, bucha e etc e vou lavar o banheiro. Limpo tudo ate que fique bem cheirosinho e limpinho. Meu marido da mamadeira ao Pimpolho e o coloca para dormir. Acabo de arrumar a cozinha. Varro a casa. Vou tomar meu banho. Tomo meu chazinho para acalmar.

Nem todos os meus dias sao assim…Mas hoje foi phoda e eu estou exausta!

Boa noite.

O inverno e “Ela”, a insuportável

Eu detesto o inverno de Basel. Além do frio, não gosto dos dias escuros, sem luz, sem o brilho do sol, sem o céu azul. Também não acho a neve bonita. Não gosto quando tudo esta branco. A neve tira o direito das coisas mostrarem suas cores. Esconde tudo, eh ousada, atrevida, assim como “Ela”. “Ela”? Quem? “Ela”, a insuportável! Aquela  “voz” interior que acha que eu não preciso fazer nada quando o tempo esta frio.

7 da manha, toca o alarme e “Ela” já começa: “Esta frio, eh melhor não se levantar.”

Eu finjo que não escutei e me levanto. E “Ela”, a insuportável, continua: “Ainda esta escuro. Você deveria voltar para a cama.”

Fazer o que com essa insuportável? Ignorar, né? “Ela” parece entender e então me da um tempo enquanto cuido do Pimpolho, tomo café da manha e “preparo” o meu dia. Mas eh só eu me assentar para trabalhar que “Ela” aparece novamente, de mansinho… “- Mas com esse frio, céu nublado, será que tem alguém trabalhando?”

Olho pela janela e penso: “Será?”

E então “Ela” encontra a brecha que precisava. Toma espaço, se sente confortável e prossegue: “- Se eh que tem alguém trabalhando não deve estar muito focado. Com esta falta de luz, não tem como não ter sono, não tem como ficar animado para trabalhar, nao tem como ser feliz. Porque você não da uma olhadinha no seu facebook antes de começar?”

Ignoro, ignoro, ignoro. Tenho muito trabalho, se tem alguém ai infeliz, desanimado por causa do tempo, céu nublado e frio,que fique claro que este alguém não sou eu, ok? Ok?

“Ela” some por um tempo. Consigo trabalhar. Alheia ao tempo frio, sou ate produtiva!

Horário de almoço e eu penso em ir para a aula de yoga. Ahhhh… “prato cheio” para “Ela” que volta toda empenhada em me desanimar: “- Yoga? Neste frio? E você ainda vai ter que ir de bicicleta na chuva. Vai chegar toda molhada…”

Ok, melhor negociar com esta insuportável: “- Eu posso ir a pé. Assim seguro meu guarda chuvas e não me molho. Além de fazer uma excelente caminhada.”

E ela: “-E então você chega lá com os pés molhados, né? Caminho aberto para a gripe.”

Eu: “- Posso ir de tram (transporte publico)…”

Ela: “Piorou… o tram no inverno fica cheio de gente gripada respirando aquele ar abafado. Péssima ideia.”

Ok, não da para negociar com “Ela”, o melhor eh ignora-la mesmo.

Vou para a aula de yoga. De bicicleta. E ate gosto da chuvinha fina no meu rosto (tem doido para tudo…). Vou pensando que aquela “insuportável” não sabe mesmo de nada. Volto para o trabalho bem mais feliz e relaxada. Esqueço que eh inverno, esqueço que esta frio. Tudo graças a Endorfa (Endorfina para os menos íntimos), aquela outra amiga. Do bem! (te amo, amiga!).

Mas e a insuportável? Estava lá esperando eu me assentar e começar a trabalhar novamente. Uhm, deixa ela para lá. Agora estou protegida pela minha amiga Endorfa.

Mas “Ela” , a voz, eh chata e insistente. Depois de uma horinha já recomeça: “- Você deve estar cansada depois da aula de yoga. Porque não descansa um pouco?”

Eu: “-Não. Obrigada. Estou ótima.”

Ela:” Então da uma olhadinha no seu blog, escreve um texto, olha seu facebook. Deve ter algum amigo querendo falar com você. Ah, que tal o instagram? Sera que alguém colocou uma foto nova? E o whatsApp? Você não tinha que escrever para sua amiga? Tem também aqueles blogs que você gosta. Que tal ler os posts novos e deixar um comentário? As pessoas sempre gostam de receber comentários…”

Eu: “Meus amigos devem estar todos ocupados, trabalhando. Eles não são a toa como você. Posso fazer isso tudo depois do horário de trabalho…”

Ela: “- Mas e sua mãe? Ela deve estar te esperando no facebook. Se você não aparecer ela pode ficar preocupada.”

Não falei que “Ela”, a voz, era insuportável? Golpe baixo mexer coma a mãe da gente, né não? ok, ok sua insuportável! Entro no facebook… Eh claro que minha mãe está lá. E também um monte de amigos que provavelmente também tem uma “vozinha” insuportável com eles…

Mensagem para “Ela”, a insuportável: “- Querida, eu ate gosto de você em alguns momentos. Adoro quando você me faz conversar com meus amigos que também estão sendo persuadidos pelas “vozes insuportáveis” deles, adoro quando você me faz ficar na cama mais do que deveria no final de semana, adoro quando você me faz assistir a novela ao invés de ler um bom livro, adoro quando você me faz comer chocolate ao invés de fruta, adoro quando você me faz escrever para o blog ao invés de trabalhar. Mas sabe o que eu gosto mesmo, de verdade? Sabe o que eu AMO??? Quando eu NÃO te escuto, ok? Então querida, fica na sua e chega de tagarelice, ok?

Mensagem para os leitores do blog: “-Não adianta negar. Você também tem uma voz insuportável dentro de você. Ate Buddha tinha…”

Mensagem para meus amigos: ” Conversar com uma “voz(inha) interior”… sei não, será este o primeiro sinal de esquizofrenia? Qualquer sinal de piora, manda internar, ok? 😉

No frio, eu sou muito “gringa”

Nos dias de verão e nos momentos de temperatura amena eu passo facilmente por uma suíça ou europeia. Quando estou de boca fechada, eh claro! Branquela, magrela, olhos claros… somente alguém muito livre dos pré-conceitos e estereótipos poderia supor a minha ascendência brasileira.

Mas eh quando o termômetro começa a mostrar uma ligeira queda na temperatura que toda a minha “gringuice” aparece. Enquanto os suíços (e europeus do norte) ainda estão usando seus casacos meia-estacao, sapatos e lenços leves, eu já tirei o meu casaco super power do armário, assim como minhas botas peludas, gorro, luvas e meus lenços de la! Porque 5 graus as 8:00hs da manha eh frio, gente!!! Quem foi que disse para eles que não eh frio?

E lá fui eu hoje pela manha para deixar o Pimpolho na creche. Toda “equipada”! Eu e ele, né? Para começar eu viro o carrinho dele de frente para mim e não de frente para o vento frio. Não entendo porque as mães não fazem isto e deixam os bebes tomando aqueles vento gelado e cortante na cara. Além disso visto casaquinho, gorro, e ainda coloco mais um cobertorzinho em cima dele. E ele? Vixe, vai quietinho e nem mexe de tão quentinho. E eu? Eu vou de casaco super-hiper quente com zíper e velcro etc e tal, bota peluda quase contra o frio polar, luvas, cachecol e… sem gorro… porque esqueci de pegar. Eh óbvio que minhas orelhas  congelaram e quase caíram aos pedaços pela rua.

E os suíços/europeus? Uhm, eles estavam de casaco levemente grosso, algumas poucas com botas cano alto que eram mais estilosas que propriamente quentes, ninguém de gorro na cabeça ou luvas. E obviamente todos eles notaram a gringa toda encapsulada e seu bebe que era empurrado de costas pela rua!

Paciência… o importante era ficarmos quentinhos. 🙂

Comprando casaco na Suica

Estive em uma loja este final de semana para procurar um casaco já que o meu “se foi” de tão velhinho. Achei tudo com cara de saco de lixo mas o Marido encontrou um casaco bem bonito para mim. Fui conversar com o vendedor para ver se tinha tamanho menor. Fiz uma pergunta BÁSICA em alemão e ele me dispara 200 palavras/segundo em suico-alemao. De tudo que ele falou eu só entendi que ele ia verificar. Fiquei esperando… volta o vendedor e me dispara 500 palavras/segundo em suico-alemao. Putz, desta vez não entendo nada! Pergunto para ele se ele fala inglês meio que interrompendo-o no meio de uma frase. Ele começou a falar mais devagar e então eu consegui entender. Enquanto ele falava-falava-falava eu estava chocada comigo mesmo pensando como eu poderia estar entendendo o suico-alemao! Ate que eu me dei conta que ele tinha mudado para o inglês mas tinha mantido a sonoridade e um forte sotaque suíço. Enfim, só dando risada de mim mesma…

Bom, ele começou a me explicar sobre o casaco me dizendo que eu poderia ficar 2 horas na chuva e no frio que não me molharia, que eu poderia fazer caminhada na montanha no inverno que eu ficaria aquecida, e poderia andar de bicicleta no inverno, na neve e na chuva que não me molharia… fui escutando toda aquela explicação e pensando: “Esse moço não me conhece MESMO!”

Pra ser simpática eu disse a ele: – E além de tudo eh um casaco bem elegante, né?

E ele: – Sim, vc também pode sair com ele para ir ao supermercado sem parecer que vai esquiar.

E eu pensando: “uhm, agora sim ele falou do meu objetivo – ir ao supermercado no inverno sem congelar e PONTO!” 😉

odeio_frio

Visitas brasileiras… aahhh

Desde que o Pimpolho nasceu a minha casa tem tido uma rotatividade bem grande de pessoas da família e amigos que, com a desculpa de conhece-lo, aproveitam para nos fazer uma visitinha. Isto quer dizer que eu ja estou ficando mal acostumada com este vai e vem que mais parece casa da gente no Brasil mesmo. E quer saber? Estou adorando!

Ja vieram tios, tias, primas, avos, amigos, etc… e na segunda chega uma prima lindinha para completar o time que atualmente esta composto por mim e minha prima “Anjo-da guarda” que se disponibilizou a ficar os 6 primeiros meses (não se preocupem, ela não esta ilegal! 🙂 ) me ajudando com o Pimpolho. Enfim, meus amigos, tenho muita sorte com a família linda que tenho!

Mas agora o meu coração, antecipadamente, já começa a ficar apertado pois a previsão eh que a partir de julho/agosto algumas amigas se mudarão de Basel, minhas primas irão embora e nos ficaremos sem este lado brasileiro que tanto me fortalece e me da alegria. Vamos ter que encontrar uma saída para segurar a peteca ate dezembro quando o inverno estará de volta (se eh que ele vai embora este ano!). Ai então, nos fugiremos dele e seremos muito bem “aquecidos” por nossos familiares e amigos no Brasil! 🙂