Sobre a Itália

Ahhhh! A Itália… Itália é um país lindo e maravilhoso que eu costumo chamar de minha segunda casa, mesmo nunca tendo morado lá. E muito provavelmente “porque” eu nunca tenha morado lá. Então tudo fica no imaginário onde acredito eu, por questão de sobrevivência e inteligência,  a nossa memória é capaz de selecionar e arquivar principalmente os momentos e as coisas boas. E como tem coisa boa na Itália… comida, música, o mar mais azul que ja vi, pessoas simpáticas, uma certa dose de informalidade,  etc e tal. Mas tb, como em todo lugar, a Itália e sua cultura estão longe de serem perfeitas.

Eh na Itália,  por exemplo, que alguns dos amigos e amigas de infância  do meu marido só me comprimentam quando eu estou ao lado dele. Caso contrário eles me ignoram e fingem que não me conhecem.  O mesmo acontece com várias senhoras e senhores amigos da minha sogra. Descarte o motivo deles não falarem a minha língua pois apesar de não ser perfeito, o meu italiano é bom o suficiente.

É na Itália, por exemplo, que os estrangeiros são mais respeitados quando são introduzidos e apresentados por um italiano. E mesmo assim, é importante deixar claro caso você tenha uma boa  formação acadêmica e um bom diploma. Acredite, isto vai te garantir alguns “Buon giorno(s)” a mais.

É na Itália, por exemplo, que as pessoas negras são  chamadas de pessoas “de cor”. E quando um italiano fala isso comigo eu sempre fico pensando que todo mundo tem alguma cor e que então deve haver um preconceito atras desta expressão. É também na Itália onde os negros recebem muitos olhares como se fossem de outro planeta. Foi em uma cidadezinha da Itália que vi uma rua inteira virar a cabeca para olhar uma linda jovem negra que passeava de maos dadas com o seu namorado italiano e branco.

É também na Itália,  por exemplo, que todo mundo, principalmente os familiares mas nao somente eles, acha que tem o direito de interferir na educação que voce dá ao seu filho.  Atropelam opiniões e tomam atitudes sem nem mesmo consultar os pais. E é também na Itália que tenho que a todo tempo lembrar ao meu marido, que é italiano,  que quem decide a educação que daremos ao nosso filho somos nós e não o resto da família que tenta o tempo todo se impor.

É na cultura italiana, por exemplo, que tive que bater o pé para decidir o nome que queria colocar no meu filho, e não repetir o nome do avô,  bisavô,  tio do bisavô ou sei la mais quem havia naquela árvore genealógica que me mandaram quando eu estava grávida. Era cada nome…

É na Itália,  por exemplo, que as pessoas gritam umas com as outras e acham que isto é normal.

Foi na Itália, por exemplo, que o garçom do bar onde tomávamos um aperitivo jogou água com um revolverzinho nas costas do Pimpolho e queria que ele achasse graça disso. Obviamente ele chorou muito. Obviamente eu não achei graça de ver meu filho chorando assustado. E obviamente o garçom achou que nós é que éramos estranhos.

É na Itália, por exemplo, que pessoas com  boa formação sempre perguntam ao Pimpolho, que tem dois anos de idade, se ele quer experimentar vinho, wisky e grapa. Isso sem que ele tenha nem mesmo desperdado alguma curiosidade para as bebidas em questão. E é  na Itália que eu, mãe do Pimpolho,  tenho que ser a chata estraga prazeres que responde “não” por ele e o explica que ele nao deve beber bebida alcoólica aos dois anos de idade. Obvio, não?

É na Itália, por exemplo, que os fumantes se assentam ao lado das crianças, incluindo bebês recém nascidos, e acendem um cigarro sem a menor cerimônia.

É na Itália, por exemplo,  que um convite de alguém da família se transforma muitas vezes em uma obrigação totalmente fora dos seus planos e limites, mas tem que ser aceito porque família  é família. É na Itália,  então,  que eu sou por muitas vezes a chata cabeça dura que não quis abrir mão dos meus planos.

É na Itália, por exemplo, que as filipinas sao as babas das crianças.  É também nas praias da Itália que as crianças brincam e são educadas pelas filipinas enquanto muitas mães fumam e conversam animadamente e gesticulosamente com suas amigas. Nada contra as filipinas que pelo que pude ver sao muito carinhosas com as crianças.  Foi na Itália que o Pimpolho conheceu uma amiguinha e brincou com ela diariamente durante duas semanas e eu nao tenho ideia de quem seja a sua mae ou algum outro parente pois so conheci a sua babá, que era filipina.

É na Itália onde muitas pessoas falam sem ponto,  vírgula ou qualquer outro tipo de intervalo. É na Itália onde muitas mulheres tem a voz grossa, rouca e masculinizada devido ao tanto que fumam. Ou, no caso de nao serem fumantes, em alguns casos, elas tem as vozes mais estridentes e irritantes que ja ouvi. Esse tópico é facilmente observado nos canais da televisão italiana.

É na Itália que sempre passo minhas férias a alguns anos. E são  destes periodos de ferias que tirei todas essas observacoes.

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Sobre homens europeus, cozinha e coisas manuais…

Ultimo dia do curso de alemão para um colega frances que arrumou um emprego no norte da Franca e nao poderá mais frequentar as aulas conosco. Ele hoje, gentilmente, levou bolo de chocolate para a uma festinha de despedida.

Detalhe: foi ele quem fez o bolo. Estava delicioso e bem decorado.

Chego no escritorio depois do curso de alemão e encontro sobre a minha mesa um cup cake de chocolate. O meu colega de trabalho havia feito cup cakes para seus filhos ontem e trouxe um para mim.

Detalhe: estava muito gostoso e lindinho!

Essas duas guloseimas me fizeram lembrar das ultimas ferias em que fomos visitar os familiares e amigos do Marido na Italia. Fomos para uma cidadezinha no litoral. Os amigos italianos do Marido costumam ir para passar o final de semana e depois voltam para as cidades onde trabalham. Estávamos em um bar-lanchonete na beira da praia, era final de tarde do domingo. Nos reunimos com os amigos para ver o por do sol antes que todos pegassem a estrada de volta para suas casas. Tomamos algo e beliscamos alguma coisinha. Aos poucos foi chegando a hora do pessoal começar a se organizar para viajar. Eis que levanta o primeiro e diz que precisava ir para casa cozinhar uma “pasta” (macarrão para os brasileiros) antes de pegar a estrada. Pouco tempo depois, eis que levanta o segundo e diz que precisava ir pois ainda nao tinha preparado nada para comer em casa antes de viajar. No final, ficamos nos, que estávamos de ferias, e mais um amigo que pode ficar ate mais tarde mas que tb depois de algum tempo se despediu e foi para casa preparar a sua comida antes de pegar a estrada de volta. Ou seja, estávamos em um lugar onde eles facilmente poderiam pedir um sandwiche ou outra coisa. Mas eles preferiram ir para suas casas cozinhar sua propria “pasta”, provavelmente com o azeite puro, vegetais ou peixes da região.

Pergunta 1: Quem foi que disse mesmo que cozinha eh lugar so de mulher? 😉

Pergunta 2: Para que comprar pronto se podemos fazer em casa? 😉

Pergunta 3: Fazer com as próprias mãos pode ser muito divertido, econômico e saudável. 😉

Pergunta 4: O que mais, além de cozinhar, você poderia deixar de comprar e então passar a se divertir fazendo com suas próprias mãos? 😉

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Todo o tempo do mundo

Não que eu seja assim tão inocente para pensar que existe lugares onde nada de ruim acontece. Mas também não posso ser tão cruel a ponto de negar que em alguns lugares a vida passa mais lentamente… Ou talvez seja somente a liberdade que os tão sonhados dias de férias nos dão… O fato eh que: chegar de férias em uma vilazinha pacata na Itália, já depois da euforia das férias escolares de agosto, e então se misturar ao dia a dia tranquilo dos moradores, pode ser como um sonho dourado para qualquer pessoa que está sujeita a correria do dia a dia de cidades maiores. E eh também para mim! Mas vocês já perceberam o quanto eh difícil desacelerar??? Pois eh… Eu me vi incrivelmente irritada com o Pimpolho nos primeiros dias que aqui cheguei. Me irritava que ele não andasse rápido e quisesse parar para ver cada florzinha, cada formiguinha, cada carro e pessoa que passava e gentilmente acenava para ele. Até que me dei conta, depois de 2 ou 3 dias de que o meu Pimpolho tinha toda a razão e eu estava ali perdendo a oportunidade de mais uma vez aprender uma grande lição com ele. A lição de ter tempo para observar os pequenos detalhes! E foi assim que descobri que tem um caminho de formigas na varanda, que a rua da igreja não passa carro, que tem muitos buraquinhos nas paredes das casas, que tem poucos pombos pela cidade mas em compensação muitos cachorros, que as pessoas sempre nos cumprimentam e são mais gentis com as crianças do que em Basel, de que eu podia deixá-lo caminhar livremente por várias ruas, que as bicicletas param quando percebem que tem uma criança indecisa no meio da rua e o ciclista ainda brinca com a criança, e etc e tal. Foi assim que aprendi que estar de férias eh não precisar ir correndo ao supermercado e se ficar tarde então podemos inventar outra coisa para comer. Estar de férias eh mais do que fazer algo diferente, eh acima de tudo ter tempo para ser diferente, para experimentar um modo diferente de viver e então, porque não, levar ao menos um pouco disto para o nosso dia a dia. Estar de férias eh ter tempo de parar para ver este por do sol mesmo com o filho pingando de sono no colo e saber que estar abraçada com o Pimpolho não tem preço. O banho dele? Fica para amanhã… O jantar? Pode ser mais tarde… Os emails? Não precisam ser lidos hoje… O telejornal? Serve para que mesmo? Estamos de férias! 😉

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Gente, ele não pode ser suíço…

Mais uma da série “Conversa pelo telefone na Suíça”. Desta vez estava pedindo a instalação da internet no escritório.
Foi mais ou menos assim:

– Ola, bom dia. Estou precisando instalar internet no escritório que acabamos de alugar e estou com uma duvida.
– Pois não, senhora.
– Eu vi que posso fazer tudo bela internet mas como a sala que alugamos não eh identificada por numero, estou sem saber como vcs vão fazer para localizar onde devem “liberar” o sinal.
– Isto não eh problema, senhora. Me de o nome da rua e o numero que então eu posso verificar se podemos atender neste endereço.
Ok, dados verificados e endereço ok para instalação.
– A senhora sabe qual o “plug” para a conexão existe na sala?
– Não faço a menor ideia… – e dei risada.
E para minha surpresa o “carinha” foi muito simpático e deu risada junto comigo (coisa rara por aqui).
Enfim, continuamos a conversa em tom super amigável e combinamos que eu tiraria uma foto do plug existente na sala para que ele pudesse verificar se era o tal “plug” que eles precisavam. Ele me passou o email geral da empresa e disse que entraria em contato comigo novamente após receber a foto.
Pois bem, foto feita e enviada. Depois de 5 minutos toca o telefone.

– Alouuuu – disse ele em tom de brincadeira e já rindo – infelizmente a senhora não esta com sorte e este não eh o “plug” que precisamos. Mas podemos instalar o nosso “plug” para a senhora.
E continuou a conversa explicando os detalhes, etc e tal. Tudo isso na maior simpatia, em tom de brincadeira mas ao mesmo tempo muito eficiente.
E eu fiquei pensando: Gente, ele não pode ser suíço…
No final da conversa pergunto o nome dele para agradecer. Adivinha o que ele eh?? Italo-brasileiro! hehehehe

 

PS: espero que Pimpolho cresça simpático assim! 🙂

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Levante-se e va para Levanto na Italia!

Para mim o melhor do verão em Basel eh saber que em poucas horas, de trem ou de carro, da para chegar na Itália! Ainda tem muita coisa na Itália que eu quero conhecer, mas tudo que eu conheci ate agora eu adorei! Sempre que temos oportunidade, eu e marido (e agora Pimpolho também), arrumamos nossas malinhas (mentira, com Pimpolho eh malao mesmo!) e vamos em busca dos “ares” italianos. Nada como sentir o “choque térmico” entre o calor humano italiano e a frieza suica. Nem precisa me perguntar qual temperatura mais me apetece, ne? 😉

Bom, nosso destino eh Levanto. Uma cidadezinha muito charmosa e com pessoas simpáticas.

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No verão, Levanto fica LOTADA de turistas mas mesmo assim não perde seu charme. A cidadezinha eh tão legal que já ate foi considerada como “cidade ideal para se viver” pelo Globo repórter (veja a reportagem aqui). Fica a 1 hora da capital da Liguria, Gênova – que eh a minha outra paixão na Itália e que merece um post dedicado a ela, aguardem!

Levanto eh maravilhosamente banhada pelo mar Mediterrâneo e a agua eh de um azul tão impressionante que fica difícil descrever. A culinária eh indecentemente maravilhosa e regada a muito azeite produzido na própria região (delicioso!). Algumas deliciosas opções oferecidas por Levanto, na minha opinião,  são:

1. Tomar o melhor sorvete do mundo na gelateria Porticciolo (eu não estou brincando! Eh mesmo o melhor sorvete do mundo!)

porticciolo

2. Tomar café da manha e/ou um aperitivo no Barolino que eh um bar super tradicional que existe desde 1921. Simpatia eh pouco para descrever os donos do lugar… A minha dica eh que você procure ir em um horário que esteja bem cheio e então você poderá se divertir com a falação e a bagunça dos italianos. Ah, e coma focaccia com prosciutto… delicia!

barolino

3.  Caminhar pela Via Garibaldi, que por mais que esteja quente em Levanto, tem sempre um ventinho fresco e lojinhas interessantes para se ver.

garibaldi

4. Caminhar ou alugar uma bicicleta para passear pelo antigo caminho do trem, passando por túneis entre Levanto e a cidade vizinha – Bonassola, e se surpreender com as paisagens entre um túnel e outro. 🙂

lvanto bonassola

5. Assistir ao por do sol no bar suspenso que fica na praia (não me lembro o nome…), ou de qualquer lugar da pequena orla de Levanto.

6. Comer, comer, comer… e nunca deixar de comer Gattafin que eh um “pastel” recheado de ervas das montanhas de Levanto e frito no azeite. Detalhe: só tem lá! 🙂

gattafin

7. visitar de trem a região de Cinque Terre (para quem não conhece, clique aqui. Garanto que vale a pena!)

8. se deliciar com as paisagens, detalhes e a hospitalidade da cidade…

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